domingo, 11 de agosto de 2013

TITANIC, verdades e omissões

De todos os filmes e mini-séries que vi feitos sobre o naufrágio do Titanic, aquele que considerei o mais repelente foi o de Cameron. Não pelos efeitos especiais e pela reconstrução - essa parte está bonita, mas pelas histórias patéticas e estereotipadas que inseriu no filme. Um gajo de arma na mão a perseguir e a disparar contra os amantes é do mais patético e ridículo que há quando a tragédia real está a acontecer. É mesmo de americano, querer meter cena de tiroteio em tudo. Algumas partes e ideias desse filme foram copiadas de um outro - o melhor que vi até agora "A night to Remember". E de FORA de todas as produções ficaram tantos FACTOS importantes que me surpreende ainda hoje que não haja uma única obra a reproduzir estes factos reais.

Eis alguns desses factos:
1) Frisar os efeitos da greve do carvão - essencial como combustível ao Titanic.
2) Retratar a quase colisão com um pequeno vapor SS New York logo na partida do porto do cais, pois o poder de sucção do enorme navio e a potência das hélices destruíram as amarras do vapor que ficou à deriva em rota de colisão com o Titanic, sendo o acidente evitado ao último minuto quando um outro vapor conseguiu segurar uma das amarras soltas, estava este a um metro do poderoso gigante.

3) Deviam incluir factos reais relatados por sobreviventes que estão registados em vídeo, pois esses factos são bem mais humanos e emotivos que um casal de namorados aos beijos. Alguns desses relatos contam que uma mulher (Edith Russel, que faz um relato impressionante do momento do impacto) se salvou porque tinha um porquinho que era uma caixa de música como objecto de afecto. Ao perceber que existia perigo - o que demorou a perceber, mandou que fossem buscar ao seu camarote o porquinho do qual não se queria separar. Havia sido presente da mãe, que já havia falecido. Mas ao ver a distância e a altura que a separavam do deck até ao bote salva-vidas recusou-se a saltar, com receio de falhar já que não estava nem trajada nem calçada para tal façanha. Um marinheiro tirou-lhe o porco debaixo do braço e atirou-o para dentro do bote dizendo: "Se não quer se salvar, então vou salvar o seu precioso porquinho!". Isto deu-lhe coragem e a mulher entrou no bote. Mais tarde, com a tragédia consumida, o porquinho musical, de pernas partidas pelo impacto, passou a noite toda a tocar música para distrair as crianças no bote. - Acho esta parte muito marcante e gostava de a ver inserida nos filmes. Qual terá sido a melodia que o porco tocou durante toda a escura noite?

Existem relatos de um membro da tripulação que foi avisar os colegas que dormiam no camarote para acordarem e tentarem escapar, pois o navio ia afundar. Os homens acharam que era larota - muitos ali, homens e mulheres, achariam o mesmo até o momento do navio se inclinar e da água começar a entrar. Mas estes irritados por não os deixar dormir, mandam-no embora e atiram-lhe com um livro para que se calasse. O rapaz deseja-lhes "boa noite", fecha a porta e deixa-os dormir.  Outro caso é o de um rapaz que desceu pelas amarras. Nenhum filme mostra estas realidades. Nenhum filme foca o que deve ter sido o desespero dos primeiros a lidar com a tragédia - os trabalhadores nas caldeiras. Poucos filmes perdem tempo com a tripulação que trabalha no fundo do navio. E poucos frisam adequadamente a questão de existirem por perto OUTROS navios que podiam ter acudido o Titanic bem mais cedo que o Carphatia. Aliás, na altura em que o Titanic afundava e lançava foguetes de luz para o ar outro navio foi visto pelos passageiros mas logo se afastou. Que navio terá sido este que virou as costas a vidas humanas em perigo?

Heis os testemunhos REAIS de alguns sobreviventes.


(1957)

(parte dois)


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