domingo, 18 de agosto de 2013

As crianças de Chernobyl e a fragilidade do mundo

Li a reportagem sobre crianças de Chernobyl acolhidas por famílias portuguesas durante as férias na revista do CM deste Domingo. Mas pelos vistos a prática já é antiga, remota pelo menos ao ano de 2010

Aquela que é uma das MAIORES tragédias do planeta tinha andado a povoar a minha mente recentemente. Um dia reflectia na sorte que temos - todos nós - por podermos sair à rua e apanhar chuva, beber e comer daquilo que a terra nos dá. Este pensamento surgiu no decorrer da lembrança do incidente  na praia este verão, com água do mar contaminada que causou aos banhistas problemas de pele e um grande susto.

Agradeci a sorte que temos em ter águas boas para nadar. Em viver neste "jardim" e temi pelo que temos, já que tudo é tão frágil. Se a humanidade não tiver muito respeito, tudo desaparece. Foi aí que me lembrei da existência da radioactividade - alguma dela largada em contentores no fundo do oceano. Sujeita à sorte, aos terramotos e maremotos. No Japão um terramoto QUASE repetiu a tragédia de Chernobyl. E por tantos outros locais deste mundo a eminência de uma catástrofe já esteve bem perto. A humanidade não devia sequer correr este risco. Portugal não tem nenhuma central nuclear - apesar de terem existido planos governamentais neste sentido. Mas não importa muito se tem ou não tem. Espanha tem pelo menos uma, mesmo aqui na fronteira. Apontaram-ma quando há muitos anos passei por lá, adolescente, rumo a uma visita de estudo.

Se um dia contaminarem as águas dos Oceanos, morremos todos. É o fim da humanidade. A humanidade não se pode dar ao privilégio de destruir desta forma irremediável o planeta onde vive. O exemplo já existe - infelizmente. Muitas zonas da antiga União Soviética - não só nas redondezas de Chernobyl - lençóis de água estão contaminados. Quando chove a água é radioactiva. Tudo ali é morte, vai dar à morte, é uma auto-estrada para a morte. A onda radioactiva se estendeu ao pirinéus, chegou a outros países. É uma grande porção deste planeta que virou MORTE num instante. Está contaminado de morte invisível e assim permanecerá por milhares de anos.



Segundo a reportagem na revista do Correio da Manhã, durante umas quatro, seis ou mais semanas, estas crianças são acolhidas por famílias voluntárias que assistem a olhos vistos às melhorias físicas, motoras e orgânicas destas crianças. O cabelo fino e baço ganha brilho e um tom mais saudável e as feridas que não cicatrizam desaparecem. O que as crianças mais aproveitam de Portugal é a comida. Uma mãe de acolhimento conta como num dia as duas crianças que acolheu devoraram 20 iogurtes do frigorífico. É obra! Mas dá uma percepção do quanto no dia a dia a alimentação destas crianças é limitada e restrita a certos alimentos. Derivados de leite é um exemplo de produto de difícil consumo em Chernobyl. Queijos, iogurtes, provavelmente manteigas e leite em si - alimentos que são a base de roda alimentar, são perigosos se consumidos por aquelas bandas. Na reportagem ficamos com a sensação que estas crianças aproveitam ao máximo a possibilidade que lhes é dada, adoram devorar comida como se não houvesse amanhã e desconhecem a fronteira de espaço privado do espaço público de zonas alimentares, não colocando diferenças de comportamento entre a cozinha de casa e a de um restaurante. Existe uma certa barreira que não é só linguística, é cultural, social e circunstancial, mas que é ultrapassada com facilidade.


Estas crianças nem eram nascidas quando a tragédia se deu. Provavelmente em 1986, seus pais eram as crianças na altura. Mas aos poucos, vivendo e comendo dos frutos daquele chão, ninguém fica imune à presença de sintomas derivados ao envenenamento radioactivo. Os efeitos da catástrofe vieram para atravessar muitas gerações - isso é incontornável. Os primeiros a nascer na zona sofreram horrores, mutações, abandono à própria sorte, as crianças e adultos tinham esperança média de vida de um máximo de 30 anos, se tanto, sensivelmente. As mulheres abortavam, não seguravam gravidezes e os problemas de cancro na tiróide escalam para o absurdo. Existe muita doença em Chernobyl e o fantasma da morte paira sobre aquela região. É tão lamentável que isto tenha ocorrido. Isto e a bomba de Hiroshima, e todas as potenciais "bombas" camufladas em centrais nucleares que existem por todo o planeta - vulneráveis que estão, como todas as construções humanas, à força da NATUREZA e ao ERRO HUMANO.

Outra razão porque Chernobyl andava a pairar na minha mente deveu-se a ler isto: Pesquisava uma informação mais fundamentada sobre o terceiro segredo de Fátima e as aparições e ao me informar melhor fiquei surpresa. Não fazia ideia que o segundo desejo de Maria era a conversão da Rússia ao catolicismo. Se tal acontecesse, evitar-se-ia muito sofrimento humano, uma segunda Guerra Mundial e a humanidade ia entrar num longo período de paz. Numa aparição à já Irmã Lúcia, Maria terá dito que esta precisava transmitir a sua mensagem ao alto poder da igreja através dos seus superiores. Algures no percurso a vontade de Maria não foi escutada e esta lamentou e chorou o destino da Rússia e da humanidade. E não conheço nada PIOR que tenha acontecido na zona da Rússia que a explosão do contentor de radioactividade da central nuclear. Claro, teve o comunismo, que foi até o detonador das faltas de condições de segurança em Chernobyl,  a ditadura que ainda perdura, os conflitos entre as pessoas sem respeito pela vida, com mortes e lutas por poder e extensos problemas de generacionismo e adaptação. Ao mesmo tempo que tudo isto pode ser coincidência, também pode não ser. Na altura das aparições - é preciso saber, atravessava-se a devastadora primeira Guerra Mundial. A irmã Lúcia só revelou este segundo segredo muitos anos depois, a fim de evitar a suposta chegada da segunda Guerra Mundial e trazer a paz à humanidade.

Algumas destas crianças visitam Portugal nas férias desde que a iniciativa começou, faz talvez cinco anos. Estas já falam um pouco melhor o Português, começam a criar raízes e têm afecto pelas famílias de acolhimento e vice versa. Quem sabe um dia, mais para a frente nos estudos, poderão virar as costas à zona beijada pela morte e vir viver onde a vida floresce? Todos deviam poder viver e crescer num local minimamente agradável. Seja na Rússia, aqui, na China, no Japão, no Irão, na Etiópia ou em África.

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