Esta foto e outras que vão ver não foram tiradas num lugar remoto. Nem tão pouco nos montes e campos de Portugal rural. São fotografias tiradas no coração de Lisboa.Adoro esta cidade por ser como é! A sua ligação com o campo está sempre presente. Um olhar menos distraído encontra o "campo" em qualquer lugar. Longe da "frieza" cinza de algumas capitais europeias cosmopolitas, como Londres ou Paris, Lisboa é uma cidade com uma luz única. Tiram-se fotografias espetaculares aqui. Mesmo para uma fotógrafa amadora sem uma câmara fotográfica de qualidade...
O que gosto nesta cidade é, como disse, o campo dentro de si. Por todo o lado, árvores. Jardins. Estas fotos foram tiradas no jardim que tenho mesmo ao lado de casa. Quantas vezes fui a esse jardim durante a minha vida? Poucas, muito menos vezes que entrei no Centro Comercial Colombo, por exemplo.
Qual dos sítios gosto mais? Do jardim!
"Jardim" é o nome que sempre lhe chamaram e sempre ouvi chamar mas, a fazer-lhe jus, trata-se de um parque. Lisboa... onde mais se tem a sensação de estar numa floresta?
Neste dia de chuva e sol, fiquei sentada num dos tantos bancos que ali pertencem. Se as paisagens deslumbram, é uma pena que um blogue não venha com sons e cheiros. Mais impressionante que o despertar do sentido da visão, foi o olfacto e a audição. Deve ser época de acasalamento. Todos os pombos a arrulhar, os pássaros a cantar. Um em particular, que benção! Faz-nos sentir bem por estarmos vivos.
Os Portugueses são, não há dúvidas, um povo para o depressivo e também para o sedentário. Por isso muito me agradou ver que existem pessoas que, mesmo em dias de chuva, vão correr, caminhar, passear, andar, conviver para o parque. Umas ficaram ali tanto tempo quanto eu. Só a ameaça de chuva e a queda de temperatura me fez intuir que era melhor recolher o meu livro e regressar ao confortável aprisionamento das quatro paredes e uma televisão.
Ainda assim marcou-me este momento e, mais que isso, deu-me energias! Renovou-me, sossegou-me... podia vir aí mais uma semana de trabalho. Estava pronta! Mas, felismente, vinha um fim-de-semana. Sei que apartir desta fase na vida vou procurar mais o que gosto ao invés de alimentar o mau hábito proporcionado pelo exemplo de pais sedentários. Devia haver um dia da semana em que a TV fosse totalmente proibida. A TV é excelente. Adoro-a. Mas rouba muita qualidade de vida às pessoas, um certo saber-viver, convívio e, talvez pior que isso, incute nas pessoas uma letargia até mental.
Façam este exercício e venham-me contar que "Campos na Cidade" descobrem vocês! Há tantos, tantos nesta Lisboa, que um mês só revelaria alguns... descubra os meus!
Esta fotografia já não foi no jardim perto de casa, mas noutro que não deixa de ser perto. Só mesmo esta altura do ano para ver as aves num frenesim de sons e actividades. Pelo que, aqui fica o raro momento em que o pavão-macho abre o leque das suas penas para atrair a fêmea. E olhem que eles, uma meia-dúzia ao menos, andavam todos nisto!
Nota: Não tirei mais do que 15 minutos neste dia para apreciar as belezas deste local que já me fascina faz anos. Aproveitem, a entrada é livre e a sensação de entrar para outra época, uma época soberba mas agora a apagar-se, surge aos poucos... aqui mistura-se tudo. Um momento único.
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