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Quem é Rebecca? É o nome de um livro escrito por Daphne du Maurier, adaptado muitas vezes para o cinema e televisão cujo filme que, para mim, mais trás vida às personagens é o de 1940, dirigido por Hitchcock. Laurence de Olivier e Joan Fontaine eternizaram duas personagens, que vivem na poderosa sombra daquela que é a personagem mais marcante na história: a falecida Rebecca!
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Volto a falar dos sexos e, em particular, dos homens. É curioso como o comportamento masculino pode ser totalmente manipulado por uma mulher. Quando constacto o quanto eles o querem... vejo que merecem uma Rebecca nas suas vidas! Nessa perspectiva, é pena que existam poucas..Em interacções do dia-a-d
ia, verificam-se muitas situações em que se pode concluir que os homens respeitam as mulheres que lhes deixem flirtar e maldizem, tal como comadres azedas, aquelas que não estão para aí viradas. Uma palavra doce, um gesto inocente mas ligeiramente provocatório, uma brincadeira... são muitos os pequenos pormenores que revelam esta vulnerabilidade masculina. Mas eles não são frágeis, pois sabem agredir como ninguém. Sabem ser de uma ingratidão brutal, desmesurada, selvagens, brutos... porém, diante das “armas” femininas, rendem-se numa cegueira sem nexo..Para ganhar/merecer a admiração e/ou respeito de um homem, a mulher tem, portanto, de ser “aquele” ser sedutor que, ao invés de falar normalmente, conquista com um tom de voz mais suave e cuidado. E é por isso que eles merecem uma Rebecca. Ela não era uma das minhas heroínas mas, agora, vejo que existe espaço neste mundo para todo o tipo de heroínas, até as vilãs porque, dependendo das circunstâncias, alguém as merece...
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Quem era Rebecca? Para quem não conhece a história, fiquemos com aquilo que é dito para a descrever. Rebecca era a mulher perfeita. Sabia comportar-se com perfeição em qualquer ambiente social. Mexia-se com mestria na alta sociedade, tinha classe, bom gosto, simpatia, era sempre a mulher mais bonita e mais bem vestida onde quer que fosse e em qualquer circunstância. Sabia manter uma conversa como ninguém. C
ativava todos os presentes assim que entrava numa sala. Todos gostavam de Rebecca. Imensamente. Até a criadagem e as pessoas humildes. Por ser tão bonita, tão inteligente, tão sedutora, tinha muitos fãs, admiradores e apaixonados. Ela era vida pura – diziam muitos. A sua morte num trágico acidente de barco é um trauma eterno para todos aqueles que tiveram o prazer de a conhecer. E é então que uma jovem ingénua, autêntica, inocente, pura e de classe social baixa cruza-se com o perturbado viúvo. Ela apaixona-se e ele encanta-se por o ser que ela é. A vida começa então em Manderley, numa enorme mansão que se vai tornar o lar do recém-casal. Mas a presença de Rebecca ainda se faz notar fortemente.
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Quando pensa que já não consegue mais suportar a constante menção à pessoa que Rebecca foi e convencida que o marido continua intensamente apaixonado pela falecida esposa, a nova senhora “Maxim de Winter” prepara-se para dar como fracassada a un
ião. É então que se dá uma revelação!!! Afinal, Rebecca era o que os outros queriam e esperavam que ela fosse! Acartou-o e passou a viver a vida como se esta fosse um eterno jogo, em que as pessoas são os seu peões. Rebecca é o produto de uma sociedade que quer as mulheres perfeitas e decide virar o jogo fazendo de todos os que a rodeiam marionetas demasiado ignóbeis para perceberem a sua psíque. No final concluí-se que a vida é um jogo de aparências em que a verdade raramente vem complectamente ao de cima. E Rebecca continua fascinante, “jogadora” que vence e ainda dá cartas mesmo depois de morta.
Quando pensa que já não consegue mais suportar a constante menção à pessoa que Rebecca foi e convencida que o marido continua intensamente apaixonado pela falecida esposa, a nova senhora “Maxim de Winter” prepara-se para dar como fracassada a un
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Há homens que merecem. São eles que fabricam “Rebeccas”. O próprio Maxim de Winter
confessa várias vezes que nunca teria olhado duas vezes para aquela que é agora a sua nova esposa. Ela não é o tipo de mulher que chamaria a atenção de um homem. A sua douçura seria considerada fraqueza, a sua candura desinteressante, a sua bondade enervante! Mas, depois de “Rebecca”, esta mulher era o oposto, era um tipo que Maxim jurava com toda a alma não existir na face da terra. Aliás, a personagem encarnada por Joane Fontaine é tão insignificante e tão bem construída, que nem chega a ter nome próprio. Em que outra obra da literatura é que tal coisa acontece? Uma protagonista sem nome e uma morta que é a real protagonista. “Rebecca” é mesmo uma obra prima. Está na hora de voltar a ler este thriller.

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