segunda-feira, 8 de julho de 2013

Toca sempre mais que uma vez...

DIZEM que as celebridades é que têm tudo.
Acha-se que a vida lhes corre sempre bem e de uma forma maravilhosa.

Até acredito que muitas vezes possa ser mas nunca consegui deixar de ver um ser humano igual a outro qualquer em nenhuma celebridade. E quando digo isto quero dizer que também têm angustias, sofrimentos, inseguranças e tudo o que aflige toda a gente. Dinheiro e bajulação não muda isso! Pelo menos, não muda as pessoas decentes. O problema é que algumas pessoas vêm apenas o lado "cosmético" da celebridade, o lado "populucho" e oco, muitas vezes reforçado por reality shows de tanga. 



Pierce e a primeira esposa,
Cassandra Harris
Aqui há uns anos, para os que se lembram, Pierce Brosnan foi notícia por apoiar a sua esposa, que sofria de cancro dos ovários. Eventualmente e apesar de todos os esforços, celebridade ou não, o actor teve de passar pela perda. A mulher morreu, tendo certamente passado muito mal até o fim se lhe apresentar. Isto é algo que marca qualquer pessoa - julgo eu, não importa quem passe por isto. Agora abri uma revista e foi com pesar que li uma nota que informava que o actor passou novamente por outra perda. Desta vez foi a FILHA dos dois, que tinha apenas 41 anos, a falecer da mesma doença que vitimou a mãe.

O CANCRO é terrível. É uma doença que vive dentro do organismo e pode ativar a qualquer altura. É como viver com uma bomba-relógio. Imaginem Pierce, que passou por isso com a esposa em 1991, ter de passar novamente agora em 2013, com uma filha. Aquela doença deve assombrá-lo. Devia temê-la, temer voltar a ter de lidar com ela e ter de passar por tudo novamente. Porque quem acompanha diante da sua impotência sofre também, muito, porque tudo o que se tente fazer, sejamos francos, a "tipa" volta e meia regressa e acaba por levar a dela adiante. É uma sentença de morte que vive "adormecida" nos genes. Pode ser adiada por muito tempo, por pouco tempo, por nenhum tempo. Mas parece que nunca abandona ninguém. 

Angelina com a mãe. Tem a quem sair... :)
Aqui à uns tempos muitos comentaram a opção de Angelina Jolie em fazer uma dupla mastectomia para reduzir a incidência de cancro. Para quem também se lembra, a actriz sofreu bastante e ficou muito marcada com a doença da mãe, que acabou por falecer em 2007, após 10 anos de luta contra o cancro. 
Ler este artigo, que apresenta os
números de afetados em Portugal
e explica muito sobre o caso
Desde o instante em que se soube portadora do mesmo gene e, portanto, de vir a sofrer do mesmo mal que Angelina  vive a vida digamos que "como se fosse o último dia", vive sem hesitar tanto cometer riscos, aproveitar enquanto cá está com saúde... Depois de perceber isso entendi que a sua opção não tem, na realidade, nada de extraordinário. É uma decisão racional e lógica. Diante dos factos, dos números, remover os seios foi como amputar um membro quando este começa a gangrenar. Não há realmente grandes hipóteses. Ou tens coragem para ser racional ou te agarras ao sentimentalismo. Por na balança as consequências de uma e outra decisão e pronto. A resposta fica mais ou menos clara. Com muitos filhos para cuidar, Angelina deve ter pensado o bom que seria cá estar para ver estes crescerem e virarem também eles pais e mães de família. O tormento de se estar a aproximar da idade com que a mãe foi diagnosticada deve ter sido a causa daquela altura em que ela andava com uma aparência cadavérica, excesso de magreza e ar depadecimento. Agora deve se sentir muito mais descansada. Fazia anos que aquilo era uma espada sobre a sua cabeça e agora deve estar mais leve.


Reynaldo com o pai, altura em que
ambos vendiam saúde
Mais recentemente e num exemplo que fala português, soubemos do caso de Reynaldo Gianecchini, que há pouco esteve em Portugal para promover uma sua biografia. O ator soube estar a sofrer de cancro o ano passado, submeteu-se aos tratamentos que a medicina tem para oferecer para combater a doença e conseguiu curar-se, ou, pelo menos, adiar mais uns anos a inadiável partida de todos nós. Mas pelo caminho ele perdeu o pai, para a mesma doença. O pai que já havia sofrido desse mal voltou a reincidir, tanto quanto sei, e dessa vez não conseguiu dar mais luta que a própria doença. 


Falo desta doença com a sorte de não ter tido ninguém próximo na família a sofrer dela. Quando era menina soube que existia e conheci crianças que a tinham. Curaram-se. Soube de muitas doenças quando era criança por ter um parente que acabava por lidar com as mesmas, ainda que indirectamente. Soube mais tarde de um ramo da família mais afastado que veio a sofrer com a mesma. A pessoa curou-se e, por ironia ou não, é agora a única sobrevivente de uma família de muitos em que outras pessoas vieram a falecer antes sem que ninguém contasse com esse desfecho. A vida ninguém sabe mesmo quando vai terminar. Mas esta doença é muito ingrata. Vejo-a assim. É algo silencioso que vai nos genes. E não há meio da ciência e da biologia arranjarem uma forma de erradicá-la. Tanta doença que o homem já conseguiu combater! Tanta que cuja fatalidade já reduziu ao ponto de poucos se preocuparem em as apanhar. Acho que esta era a que mais gostaria de saber que foi encontrada uma cura. Faz anos que anseio por essa descoberta - cada vez que oiço falar em progressos ou numa grande doação monetária para a causa. E se um dia os geneticistas descobrirem uma forma de remover esse "gene" do código de ADN antes de uma criança nascer - como já se faz algo parecido com pais com AIDS que querem constituir família mas como é óbvio, não querem colocar no mundo uma criança já condenada, se isso é possível para algumas doenças, tomara que venha a ser com esta também. Caso contrário as pessoas deviam saber atempadamente com o que contar. E a partir daí decidir se querem correr o risco de colocar no mundo filhos biológicos que podem vir a falecer cedo dessa doença. A preocupação de Jolie - que demorou até ter filhos próprios, a preocupação de quaisquer pais que vêm uma doença como esta chegar ao seu seio familiar.

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