sábado, 21 de janeiro de 2012

Igualdades e Direitos (entre sexos)

Um filme verídico sobre um grupo de 187 operárias britânicas que, em 1968 entraram em greve no trabalho numa fábrica de automóveis Ford para exigir igualdade salarial fez-me voltar a reflectir sobre o direito das mulheres à IGUALDADE.

«Feminismo» é uma palavra da qual não gosto e com a qual não me identifico, porque não consigo defini-la ou sequer compreendê-la. Compreendi então o que sentia quando ouvi algures a seguinte opinião: "O feminismo foi inventado pelos homens".

Aí passou a fazer todo o sentido.
"Feminismo", essa palavra de que não gosto, é uma expressão utilizada negativamente, para criticar toda e qualquer opinião feminina. É frequente escutar um homem «recriminar» uma mulher, dizendo que esta tem o que merece actualmente, porque «todas quizeram o feminismo» e, como consequência, ao que parece, têm de «pagar» com a perda do direito a serem respeitadas ou cortejadas com respeito.

O RESPEITO já é uma palavra que entendo bem e até diria que anda a escassear. Um homem diria com leviandade que a culpa é do «feminismo» mas o que aconteceu na sociedade no que respeita à relação homem-mulher é que certos papéis socialmente bem definidos mesclaram-se entre si e aí alguns homens cairam também, confusos pelas mudanças de ideias pré-definidas de anos, ou mesmo séculos, sem saberem como lidar com a mulher socialmente liberal. Tudo é mais fácil quando tudo é feito pela calada e quando, SOCIALMENTE, está explícito que cabe ao HOMEM o papel de superioridade numa relação entre sexos.

Consigo imaginar a confusão nessas suas cabeças. Tudo é mais fácil quando as mulheres se encontram bem «classificadas e arrumadas» em gavetinhas sociais: a esposa, com quem se casa e tem de ser pura, a amante(s) com quem se tem um relacionamento livre de acanhamentos e as mulheres de vida fácil, um recurso para contrariar a rotina das outras duas realidades. Socialmente o correcto seria cumprimentar a primeira na rua, manter um distanciamento cordial com a segunda e a terceira finge-se que não se conhece.

Era mais fácil mas não era realista e vivia-se com alguma hipocrisia. Não que esta ainda não exista, nunca se pode irradicar a hipocrisia da sociedade mas foi irradicada do PADRÃO socialmente aceite no que respeita às relacções homem-mulher.

O homem deixou de saber respeitar a mulher, geralmente falando. E as que sofrem ainda de algum complexo de inferioridade comportam-se com excesso de vulgaridade e carência, denunciando assim as suas inseguranças. A mulher perdeu a segurança e confiança em si mesma, o que é um pilar, um eixo, um farol essêncial para qualquer homem. Não todas, graças a Deus, mas algumas acredito que sim.

E com isto vem a confusão de sentimentos, a já falta de capacidade de compreender a definição de um relacionamento saudável. É bom a liberalização, mas a libertinagem em exagero desvirtualiza valores essenciais, o principal deles, o respeito. Cultura e conhecimento também andam a escassear. Não admira porém que as mulheres que o possuem deixem os homens de cabeça à roda.

Voltando às mulheres que viveram este período tão particular na história das sociedades modernas liberais de uma forma activa e desempenhando um papel de mudança, quando penso nelas, nas que lutaram para poder ir às urnas e ter o DIREITO de se pronunciarem sobre os seus governantes e nas que lutaram para no final do mês receberem um ordenado o mais próximo possível àquele dado a um homem, às que lutaram pelo direito das filhas poderem frequentar a escola, só sinto pena quando percebo que tudo isto é classificado com uma terminologia redutora como a expressão «feminismo». Isso e perceber que algumas pessoas, homens e mulheres, não sabem apreciar as suas liberdades e honrar os seus direitos. Ou se contentam com o papel de objecto quanto há apenas uma geração atrás alguns milhares por todo o mundo tiveram de penar tanto para mudar injustiças!





Em suma, uma verdadeira mulher arregaça as mangas e vai à luta. E um bom homem gosta disso e sabe dar valor e respeitar. Fica a seu lado, não à frente ou atrás nem aproveita para se acomodar. Uma mulher que não faz nada e espera que os outros façam tudo por si é tão desvirtuosa quanto um homem igual.

Mas em tudo isto e apesar das mudanças, por toda a parte da sociedade moderna desolvida e liberal continua de forma mais subtil e ténue estas diferenças laborais entre homem-mulher.

Entre todas as lutas pela igualdade que existem no mundo, nem as controversas e violentas pela raça são tão duradouras quando esta de «Adão e Eva». E pobre Eva, até na bíblia, escrita e interpretada por homens, foi ela que ficou com as culpas pelo pecado de Adão... mas aposto que foi ela que arregaçou as mangas lol!
http://os-velhostempos.blogspot.com/2010/10/figura-misterio-2-carolina-beatriz.html

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