Há pessoas que se julgam especialmente vocacionadas para alguma forma de arte e perseguem esse sonho. Uma parte consegue alcançar alguma projecção mediática, quase sempre por caminhos nem sequer imaginados. Lembro que Luciana Abreu procurou a fama em todos os programas de televisão em que pode se inscrever. Ela queria uma oportunidade de chegar a algum lugar. Tentou-o a dançar, a cantar... nos "Ídolos", no "Cantigas da Rua"... foi sempre rejeitada. Até que, num casting para representar uma personagem numa novela importada, cuja imagem da protagonista já tinha um perfil e um corpo, acaba por ter a sorte de ser seleccionada. Digo sorte, porque acho que foi isso mesmo que aconteceu. A "estrelinha" de Luciana Abreu chama-se Teresa Guilherme. Uma mulher conhecida no meio por gostar (muito) de juventude e beleza. Teresa é uma mulher de emoções e de raciocínio. Quando uma fala e a outra escuta... Luciana, na altura com aquele ar jovial e fresco que rapidamente desapareceu, era, de facto, uma candidata com um bom perfil para a personagem. E assim foi lançada.
A sua irmã também aspira a uma arte: a dança. Vi-a a tentar a sorte no "Pensas que sabes dançar"? e, de facto, é em muito parecida com a irmã e, suponho, com a mãe... o que não é uma vantagem. Quando começou a dançar, achei que tinha energia mas depois, não vi nada de especial nos movimentos. Estava crua. Na coreografia de grupo, em que mal se viu a prestação individual de cada um, foi necessária atenção em particular para reparar que parecia ter movimentos mais lentos que os desejados em determinado momento. Bem... mas estou a escrever detalhes que não interessam. O que me impressiona é que é jovem e, como tal, ainda tem tempo de recorrer a cursos, a bons professores, ao conservatório... porque ainda não o fez(?), se já estuda dança há anos? Se tem paixão? Se a música é tudo? Isto porque, no caso da dança em particular, sem muuuito trabalho, não se chega lá... Muito! E não é qualquer escola de dança que serve o propósito...
No programa apareceu também uma candidata que levou o júri às lágrimas. A rapariga, com anos de formação em ballet, estava, de facto "a anos-luz" daquilo que devia ser. Mostrou não ter qualquer consciência do quanto o seu corpo não se movia como era suposto. Há saída, alguém lhe gritou: "Endireita-te! Endireita-te!" - se foi com este tipo de incentivo que teve na sua formação, está tudo explicado! Até duvido que o sonho de ser bailarina seja da rapariga. Quase que aposto que o sonho é da mãe, ou da professora, ou de um adulto qualquer... a miúda não leva qualquer jeito e isso nota-se e só pode ser porque ela própria criou uma "persona" ou não teve alternativa senão seguir no barco da ilusão para o qual foi empurrada em pequena... no fundo, não deve querer aquilo - é a minha suposição.
Mas estas considerações sobre a perseguição de um sonho, sobre a vontade de ser reconhecido por um talento artístico surgiu destes dois casos no programa e da visão de uma multidão em capas laranja em frente ao Tivoli hoje. E, também, de um "detalhe" do filme com Dustin Hofman que vi ontem, em que fazia de pai de noiva em risco de perder a profissão de criador de jingles. Claro que, o seu sonho, era ser um grande músico de jazz... quando interrogado se tinha talento, responde: "Não o suficiente".
E no fundo é isso. Existem muitas pessoas com muita paixão, que sentem verdadeiramente que aquela devia ser a coisa à qual dedicar a sua vida mas que, sendo bons, "não são o suficiente". Não quer isto dizer que não tenham lugar no universo artístico. Apenas não estão entre os melhores.

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