quarta-feira, 5 de maio de 2010

Papa em Lisboa

De passagem pelo Marquês de Pombal reparei num casal idoso e num rapaz dos seus 30 anos com ar de intrigados. Pareceu-me que queriam atravessar a estrada mas a ausência de sinalética a indicar onde o fazer os baralhou. Julguei-os estrangeiros, mas talvez não fossem. Na ausência de passadeiras, o homem olhava desconsertado e repetidamente para o “M” de metro e para a estrada que queria atravessar. O pescoço fez tantos movimentos que fez-me lembrar uma galinha! Lá se decide e dá a volta para descer pelas escadas do Metro do Marquês de Pombal. Por acaso fiquei a pensar na situação. De facto, o que ali indica que aquilo é uma passagem para o outro lado? Eu também não vi nenhum sinal no instante em que estava a passar de autocarro. Foi nesse instante que reparei em algo. O enorme cartaz com a imagem do Papa Bento XVI, anunciava a sua chegada a Lisboa e a missa que vai realizar na Praça do Comércio.



Fiquei a pensar nisto. Um Papa em Lisboa... de facto, é um acontecimento. Mas algo incomodava-me naquele cartaz. E era a falta de informação em inglês? Habituada, por vezes, que esta língua venha até primeiro que a portuguesa, devido ao turismo, achei estranho e também inadequado que esta visita não fosse anunciada também em inglês. Afinal, o Papa fala muitas línguas, reza em muitas línguas e lá por vir a Portugal não quer dizer que muitos dos fiéis que vão deseja vê-lo não sejam estrangeiros. O casal idoso de à momentos olhava para cima e apontava para algo. Pensei tratar-se do “M” do metro mas, provavelmente, era o cartaz. Sendo estrangeiros, que informação tinham ali que entendessem? Um turista de passagem por Portugal talvez não quisesse perder a oportunidade de estar no mesmo lugar que o Papa. Iria lembrar-se para sempre que foi em Portugal que viu e esteve com o Papa.

A vinda do Papa até agora não me tinha suscitado qualquer tipo de pensamento. Era algo distante, ocupada que ando com o dia-a-dia e o trabalho. Mas vir a Lisboa, de facto, tem o que se lhe diga. Quando li nos jornais que vinham rezar uma missa na Praça do Comércio, não deixei de achar irónico. Palco das maiores atrocidades, palco das fogueiras da inquisição... mas o tempo passa, o povo esquece, e acho muito bem que assim seja porque, entretanto, aquela praça já foi muitas outras coisas e merece ser recordada por todas elas, não só pelas macabras e violentas.

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