domingo, 8 de junho de 2014

A índia e a realidade


NUNCA quis conhecer a Índia.
Nunca, nunca, nunquinha, em todos os anos em que muitos se sentiam fascinados por histórias de encantar e de ficção, misticismo e afins. Porquê a Índia não me atrai não sei especificar com precisão mas de um modo geral qualquer região do planeta onde a pobreza é extrema e encarada por alguns como repulsiva, ao mesmo tempo natural e necessária, sendo imposta por noções de superioridade de classes sem qualquer intenção de se melhorar as condições de vida de TODOS os habitantes, não me atrai.

Nunca me atraiu por saber que ia entristecer e ficar com o coração apertado constantemente, por ver crianças e idosos em roupas esfarrapadas a pedir todos os dias o que comer. Ia ver prostituição infantil, agressões, humilhações, crimes contra os direitos mais básicos da humanidade. Não queria saber de vacas sagradas, de souvenirs de cânfora ou elefantezinhos esculpidos em pedra, nem sandálias ou túnicas. Rios sujos com cadáveres, bosta de vaca, ratazanas e caganitas por todo o lado. Era mais isso que pintava o meu imaginário sobre o país. E sempre, de alguma forma, soube disto:




Não. A Índia não é nem de longe um país que me atraia. Finalmente o resto do mundo começa a enxergar com os seus olhos aquilo que os meus sentidos sempre indicaram. É triste, é desolador, que seja recorrente casos e casos de violações colectivas de jovens meninas, seguidas de assassinatos e IMPUNIDADE.
Turismo na índia? É loucura! É insanidade, é ser conivente com os crimes humanitários praticados neste país.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Já não se fazem noticiários televisivos em PORTUGAL

Há coisas que não compreendo mesmo. Uma delas são os noticiários televisivos.
Fiquei um quarto de hora a ver parte de um e nesse tempo todo não passaram mais do que três notícias. Uma era sobre um evento - a feira do livro. Mas é preciso perder quantos minutos para anunciar aquilo que não devia passar, no máximo, de um apontamento, uma nota de rodapé? A Feira do Livro já parece um fait-divers, uma notícia de entretenimento. Depois passou para a seleção ou o que foi. E dali não saiu! E eu passei os minutos que tinha para dispensar ao noticiário sem saber porra nenhuma de interesse. Nada. Nicles. As notícias morreram. Tudo é entretenimento e coisas que não merecem estar a ser referidas num espaço que tinha obrigação de INFORMAR sobre temas que precisamos saber, que desconhecemos, que nos fazem falta, que nos podem auxiliar, que podem esclarecer. A 84ª edição de um feira de livro é importante onde? Feiras do livro existem às dezenas todos os anos! Parem de tornar UMA um evento mediático, sff. Desporto existem às dezenas - parem de falar sempre do mesmo dando tanto tempo de antena. Me dêm notícias. Me esclareçam. Me mostrem e me façam conhecer coisas como esta:



segunda-feira, 12 de maio de 2014

Tabus Sexuais


Sex Mundi, Canal Odisseia, T1 episódio 11. Vejam se conseguirem.
Já apanhei o fim mas este programa que fala sobre atrações, relações e sexo mostrava um casal, um homem mais velho com uma rapariga mais nova, feliz, entrosado, com um bebé saudável. Qual é o catch? São PAI E FILHA.

Este pai e filha a viver numa relação de casal não foram criados juntos, pelo que não sei bem como, terminaram por ser um casal. O facto dela ter vindo dos testículos dele não parece afectar nenhum dos dois. E para ser sincera, ver os dois juntos não foi perturbador. Os dois pareciam realmente se darem bem. Perturbador é a ideia de incesto, saber que são pai e filha e mantêm uma relação sexual e de intimidade.

Há muito tempo que estou para dizer isto: há medida que vamos aceitando cada vez mais as diferentes formas de cada qual viver a sua sexualidade, isso significa que temos de aceitar TODAS. E isso de todas é mesmo TODAS. Até as piores.

E vou mais além: não tenho dificuldade em entender e compreender a maioria delas. Mas antes de se começar a afirmar o que ainda não se afirma, tomando como natural determinadas atracções como por exemplo a referida, também julgo ser preciso referir que algumas, ainda que particularmente naturais não são de todo aceitáveis.

Qual o limite - perguntam vocês. Bom, julgo que cada vez que alguém não faz uma escolha consciente ou não tem maturidade suficiente para realmente decidir por si e algo lhe é imposto, isso entra na categoria de crime. Agora, se a atracção só por si é criminosa? Pelo andar das coisas vamos ter de afirmar que não, que é real e natural para as predisposições de alguns poucos indivíduos. Mas isso não dá hoje nem nunca o direito a alguém de ser um monstro.

No caso acima referido, pelo que entendi existiu uma atracção imediata de ambos os lados. Ninguém foi cortejado sem desejar a corte. Entendem a diferença? Ambos se viram e se desejaram. É a tal história de amor à primeira vista. Entre pai e filha, é verdade, mas ainda assim o sentimento é legítimo. A relação de sangue é que não é admissível na sociedade. Mas a escolha não foi imposta por nenhum dos dois. E aqui reside a diferença! Quantos casos se descobrem de relações incestuosos que foram forçadas? Condenamos de imediato o prospector de tamanho crime. E acho bem que assim seja. Ninguém tem o direito de impor a sua vontade a ninguém nem de achar que a sua vontade vale mais que a de outra pessoa.


O programa avança e relata o muito publicitado caso de Mary Kay Letourneau, a professora de Liceu americana com 34 anos que em 1996 foi apanhada a ter um caso com um seu aluno de 13 anos. Recordo a tinta que correu na altura, vi todos os documentários e reportagens. Sabe-se que esta professora era casada, envolveu-se com o aluno, foi apanhada, estava grávida deste (planeou engravidar), foi presa, prometeu não se encontrar mais com o rapaz, foi solta em liberdade condicional, encontrou-se com o rapaz que afirmou sempre que entre os dois existia amor verdadeiro, voltou a engravidar e voltou para trás das grades. Já está solta e a viver na condição matrimonial com o pai das duas filhas, agora maior de idade. 


Mas foi uma relação que começou quando um deles era quase criança. Contudo, ambos juraram ser autêntica nos sentimentos. Algo que progrediu com toda a naturalidade. E a ter em conta o desenvolvimento da história talvez tenhamos de admitir que, de vez em quando, possa existir uma atracção mútua e verdadeira entre pessoas de idades tão diferentes, mesmo quando uma é quase uma criança, influenciável e ainda não considerada legalmente responsável por todos os seus atos. 

Quem sabe Deus, na altura de distribuir as almas gémeas, enganou-se nesse pormenor? Dizem que a noção de tempo lá do outro lado não existe... ups! Deixou escapar uma geração ou quase. Mas casos assim devem ser tão incomuns quanto ganhar o euromilhões. A questão é que se estamos a ficar com a mente cada vez mais aberta para o espectro cada vez mais variado de múltiplas formas de viver relações de intimidade, chegará o dia em que TUDO vai ser aceite e nada vai chocar. Até o terrível e inenarrável, até o que já foi cometido com consentimento... e é terrível demais constatar que exista tal coisa neste mundo. 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Ofertas de emprego no site oficial do IEFP

Pesquisa de ofertas de trabalho no site do IEFP - HOJE.
Comentem vocês Sff











quinta-feira, 17 de abril de 2014

Comentem vocês, sff



SEM COMENTÁRIOS


Comentem vocês, sff.

in: Correio da Manhã

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Não confundir ALHOS com BUGALHOS, ninguém está a falar da VOSSA vida!



Há uma coisa que começa a tirar-me do sério quando leio comentários a notícias divulgadas nas redes sociais. 

Toda a gente sabe que uma geração mais velha, de pessoas pobres, normalmente oriundas do campo, do tempo em que a instrução não era obrigatória e para acesso a todos como passou a ser depois da revolução de 25 de ABRIL (que em breve comemora os seus 40 anos), foi acostumada a trabalhar desde muito cedo. 

O trabalho, como única forma de garantir o sustento de famílias geralmente muito numerosas, era o mais importante. Estudos eram poucos, básicos ou praticamente nenhuns. Os meus avós foram criados assim. Meus pais foram criados assim. Embora qualquer um deles soubesse falar do sucedido como uma referência a uma diferença dos tempos de então para agora, nunca nenhum deles usou isso para se lamentar, se vangloriar ou para se sentir melhor ou diminuir a geração actual. Ao contrário. Revelaram sempre contentamento por essas mudanças trazerem para os filhos oportunidades que antes não teriam existido.

Ultimamente têm sido «às resmas» os comentários nas redes sociais onde se lêem coisas do género "eu comecei a trabalhar com oito anos, tenho 59, ainda trabalho, não morri por causa disso, os jovens de hoje que não querem trabalhar, só querem é festas, bebedeiras até de madrugada, drogas e as raparigas abrem as pernas para os primeiros que as quiserem".

Opa, passo-me! A sério que começa a tornar-se irritante tamanha imbecilidade. As pessoas que fazem este género de comentários não têm toda a «culpa». Parte da culpa deriva dos seus poucos estudos, ainda que elas não o percebam. Porque se os tivessem saberiam o absurdo que estão a dizer. 

Quanto ao trabalho, compreendo e concordo que uma criança deve ter responsabilidade e conhecer alguma espécie de trabalho logo cedo. E começa por aprender ainda em bebé com poucos anos de idade a apanhar os brinquedos que deixa espalhados e os arrumar. Mas o que estas pessoas estão a dizer é escandaloso. Porque não SABEM COMENTAR a notícia. Só sabem OLHAR PARA SI MESMAS e com base EM SI PRÓPRIAS emitir juízos de valor. Gratuitamente. Maus juízos de valor, estereotipados, generalistas e que NADA têm a ver com a situação que se discute.

É que este tipo de comentários surgem sabem debaixo de que notícias? De notícias escandalosas! Vou dar exemplos verdadeiros. Uma notícia online do jornal Correio da Manhã num destes dias dava conta que uma mãe foi denunciada ao SOS escolas por a filha aparecer na escola toda cheia de marcas de abusos físicos, não sendo a primeira vez. A notícia relatava que por a filha se recusar a levantar o prato da mesa a mãe espancou-a com cabos eléctricos, com uma faca (sim, uma faca, uma arma branca que facilmente pode matar e só por estar a ser manuseada para agredir já impõe medo à vítima) além de um cabo de vassoura. Ora, começo a ler debaixo de uma notícia desta comentários dentro dos parâmetros absurdos que exemplifiquei acima. E mais do que um, o que é pavoroso. E com likes!


Imaginem o que é perante uma história destas ler "Se calhar foi só um puxão de orelhas e estão para aí a dizer que é agressão. Eu comecei a trabalhar aos onze anos, (blá, blá, blá centrado no eu), os jovens de hoje não ajudam os pais e fazem deles seus criados, não trabalham, não estudam e só querem é festas, alcool e drogas. As miúdas não podem trabalhar mas abortos já podem porque só sabem abrir as pernas" .

Como já expliquei, eu compreendo, de uma certa forma, o que algumas destas pessoas querem dizer. Mas dizem tudo mal. Escolhem mal as palavras e o que é pior: não sabem ler uma notícia. Parece que querem é falar DELAS MESMAS, dando-se a longas descrições da sua vida «miserável» como trabalhadores que se iniciaram na infância. A sério que acho que só comentam por sentir necessidade de desabafar isso.

E é feio. Acho mal. Existe uma altura um local e fazê-lo debaixo de histórias sérias, reais e graves não é o sítio. E julgar toda uma juventude pelos piores exemplos que se ouvem falar? O que é isso? Então e a muita juventude que é empenhada, trabalhadora, empreendedora? É tudo metido no mesmo saco? 

Esta omissão e parcialidade é só um dos «males» menores de toda esta presunção de auto comiseração que aproveita cada chance para falar do seu malfadado começo como criança que teve de trabalhar ao invés de estudar. Até diria que em muitos casos existe inveja e revolta por detrás destes comentadores. Inveja da liberdade da geração de hoje, revolta por não se conformarem com a própria vida que lhes foi imposta. Embora enalteçam a dignidade do trabalho - e ela existe, se fossem hoje jovens não sei se iam pegar no batente ou procuravam uns amigos para ir para os copos, fumar, beber e até se drogar. Sim, porque se fala desta geração como se drogas, álcool, cigarros e festas fosse algo exclusivo dos dias que correm quando drogas, álcool, cigarros e festas sempre fizeram parte da juventude. Juventude «perdida», «rebelde», o que o quiserem chamar. Ao menos hoje existem movimentos de juventude saudável, que se preocupa com a saúde. Acho que antigamente não existia tanto este tipo de consciencialização. E quando a raparigas a «abrir as pernas», também sei que não é nada exclusivo de agora. No passado também muitas o faziam. Isto não pode ser visto apenas no preto ou no branco.

Mas o PIOR é que este género de comentários, já os encontrei nas situações mais absurdas. Mais exemplos: casos de violação. Já imaginaram alguém praticamente dizer que a pessoa (mulher, rapariga, jovem) FEZ POR MERECER só porque «anda com saias curtas e decotes» ou porque «saiu de noite»? Eu já li isto!! É de um retrocesso social gigantesco. 


       

Parece a Índia, um país onde as mulheres estudam, trabalham mas quando chega o momento de serem encaradas na sociedade como iguais não existe igualdade alguma, existe um sexo inferior que faz com que todos os machistas digam que "fez por merecer".

Lembram-se da Jyoti Singh Pandey, que relatei aqui? A estudante de fisioterapia indiana que foi selvaticamente espancada e violada? Na Índia muitos não se compadecem porque é mulher e não estava trancada em casa. Tinha ido ao cinema com o namorado e por isso, acreditam muitos por lá, que os horrores que sofreu são igual a ZERO. NADA de importante. Os rapazes criminosos, esses sim, têm a compaixão de muitos. Sentem que estão a perseguir os criminosos e que não é justo os punirem!!

Por esta razão e por todas as que tenho vindo a relatar é que começa a me fazer confusão ler este género de comentários. Sei que provavelmente foram feitos por pessoas simples, de instrução limitada. Mas isso não justifica a ignorância. Não toda. Queria ver se fosse com filhos seus, se iam ter o mesmo discurso. "Mereceu" ser estuprada, mereceu ser espancada e agredida, porque «anda nas festas». É um absurdo este tipo de comentários, que já vi também serem feitos em referência a situações de escravatura e de exploração infantil! 

Antes de sentirem o impulso de falarem de vocês mesmos e de expiarem o que vos aperta a alma, vejam primeiro em que NOTÍCIA o estão a pensar fazer. Comentem a NOTICIA, não a vossa vida, sff.