Sex Mundi, Canal Odisseia, T1 episódio 11. Vejam se conseguirem.
Já apanhei o fim mas este programa que fala sobre atrações, relações e sexo mostrava um casal, um homem mais velho com uma rapariga mais nova, feliz, entrosado, com um bebé saudável. Qual é o catch? São PAI E FILHA.
Este pai e filha a viver numa relação de casal não foram criados juntos, pelo que não sei bem como, terminaram por ser um casal. O facto dela ter vindo dos testículos dele não parece afectar nenhum dos dois. E para ser sincera, ver os dois juntos não foi perturbador. Os dois pareciam realmente se darem bem. Perturbador é a ideia de incesto, saber que são pai e filha e mantêm uma relação sexual e de intimidade.
Há muito tempo que estou para dizer isto: há medida que vamos aceitando cada vez mais as diferentes formas de cada qual viver a sua sexualidade, isso significa que temos de aceitar TODAS. E isso de todas é mesmo TODAS. Até as piores.
E vou mais além: não tenho dificuldade em entender e compreender a maioria delas. Mas antes de se começar a afirmar o que ainda não se afirma, tomando como natural determinadas atracções como por exemplo a referida, também julgo ser preciso referir que algumas, ainda que particularmente naturais não são de todo aceitáveis.
Qual o limite - perguntam vocês. Bom, julgo que cada vez que alguém não faz uma escolha consciente ou não tem maturidade suficiente para realmente decidir por si e algo lhe é imposto, isso entra na categoria de crime. Agora, se a atracção só por si é criminosa? Pelo andar das coisas vamos ter de afirmar que não, que é real e natural para as predisposições de alguns poucos indivíduos. Mas isso não dá hoje nem nunca o direito a alguém de ser um monstro.
No caso acima referido, pelo que entendi existiu uma atracção imediata de ambos os lados. Ninguém foi cortejado sem desejar a corte. Entendem a diferença? Ambos se viram e se desejaram. É a tal história de amor à primeira vista. Entre pai e filha, é verdade, mas ainda assim o sentimento é legítimo. A relação de sangue é que não é admissível na sociedade. Mas a escolha não foi imposta por nenhum dos dois. E aqui reside a diferença! Quantos casos se descobrem de relações incestuosos que foram forçadas? Condenamos de imediato o prospector de tamanho crime. E acho bem que assim seja. Ninguém tem o direito de impor a sua vontade a ninguém nem de achar que a sua vontade vale mais que a de outra pessoa.
O programa avança e relata o muito publicitado caso de Mary Kay Letourneau, a professora de Liceu americana com 34 anos que em 1996 foi apanhada a ter um caso com um seu aluno de 13 anos. Recordo a tinta que correu na altura, vi todos os documentários e reportagens. Sabe-se que esta professora era casada, envolveu-se com o aluno, foi apanhada, estava grávida deste (planeou engravidar), foi presa, prometeu não se encontrar mais com o rapaz, foi solta em liberdade condicional, encontrou-se com o rapaz que afirmou sempre que entre os dois existia amor verdadeiro, voltou a engravidar e voltou para trás das grades. Já está solta e a viver na condição matrimonial com o pai das duas filhas, agora maior de idade.
Mas foi uma relação que começou quando um deles era quase criança. Contudo, ambos juraram ser autêntica nos sentimentos. Algo que progrediu com toda a naturalidade. E a ter em conta o desenvolvimento da história talvez tenhamos de admitir que, de vez em quando, possa existir uma atracção mútua e verdadeira entre pessoas de idades tão diferentes, mesmo quando uma é quase uma criança, influenciável e ainda não considerada legalmente responsável por todos os seus atos.
Quem sabe Deus, na altura de distribuir as almas gémeas, enganou-se nesse pormenor? Dizem que a noção de tempo lá do outro lado não existe... ups! Deixou escapar uma geração ou quase. Mas casos assim devem ser tão incomuns quanto ganhar o euromilhões. A questão é que se estamos a ficar com a mente cada vez mais aberta para o espectro cada vez mais variado de múltiplas formas de viver relações de intimidade, chegará o dia em que TUDO vai ser aceite e nada vai chocar. Até o terrível e inenarrável, até o que já foi cometido com consentimento... e é terrível demais constatar que exista tal coisa neste mundo.


