sexta-feira, 4 de abril de 2014

Não confundir ALHOS com BUGALHOS, ninguém está a falar da VOSSA vida!



Há uma coisa que começa a tirar-me do sério quando leio comentários a notícias divulgadas nas redes sociais. 

Toda a gente sabe que uma geração mais velha, de pessoas pobres, normalmente oriundas do campo, do tempo em que a instrução não era obrigatória e para acesso a todos como passou a ser depois da revolução de 25 de ABRIL (que em breve comemora os seus 40 anos), foi acostumada a trabalhar desde muito cedo. 

O trabalho, como única forma de garantir o sustento de famílias geralmente muito numerosas, era o mais importante. Estudos eram poucos, básicos ou praticamente nenhuns. Os meus avós foram criados assim. Meus pais foram criados assim. Embora qualquer um deles soubesse falar do sucedido como uma referência a uma diferença dos tempos de então para agora, nunca nenhum deles usou isso para se lamentar, se vangloriar ou para se sentir melhor ou diminuir a geração actual. Ao contrário. Revelaram sempre contentamento por essas mudanças trazerem para os filhos oportunidades que antes não teriam existido.

Ultimamente têm sido «às resmas» os comentários nas redes sociais onde se lêem coisas do género "eu comecei a trabalhar com oito anos, tenho 59, ainda trabalho, não morri por causa disso, os jovens de hoje que não querem trabalhar, só querem é festas, bebedeiras até de madrugada, drogas e as raparigas abrem as pernas para os primeiros que as quiserem".

Opa, passo-me! A sério que começa a tornar-se irritante tamanha imbecilidade. As pessoas que fazem este género de comentários não têm toda a «culpa». Parte da culpa deriva dos seus poucos estudos, ainda que elas não o percebam. Porque se os tivessem saberiam o absurdo que estão a dizer. 

Quanto ao trabalho, compreendo e concordo que uma criança deve ter responsabilidade e conhecer alguma espécie de trabalho logo cedo. E começa por aprender ainda em bebé com poucos anos de idade a apanhar os brinquedos que deixa espalhados e os arrumar. Mas o que estas pessoas estão a dizer é escandaloso. Porque não SABEM COMENTAR a notícia. Só sabem OLHAR PARA SI MESMAS e com base EM SI PRÓPRIAS emitir juízos de valor. Gratuitamente. Maus juízos de valor, estereotipados, generalistas e que NADA têm a ver com a situação que se discute.

É que este tipo de comentários surgem sabem debaixo de que notícias? De notícias escandalosas! Vou dar exemplos verdadeiros. Uma notícia online do jornal Correio da Manhã num destes dias dava conta que uma mãe foi denunciada ao SOS escolas por a filha aparecer na escola toda cheia de marcas de abusos físicos, não sendo a primeira vez. A notícia relatava que por a filha se recusar a levantar o prato da mesa a mãe espancou-a com cabos eléctricos, com uma faca (sim, uma faca, uma arma branca que facilmente pode matar e só por estar a ser manuseada para agredir já impõe medo à vítima) além de um cabo de vassoura. Ora, começo a ler debaixo de uma notícia desta comentários dentro dos parâmetros absurdos que exemplifiquei acima. E mais do que um, o que é pavoroso. E com likes!


Imaginem o que é perante uma história destas ler "Se calhar foi só um puxão de orelhas e estão para aí a dizer que é agressão. Eu comecei a trabalhar aos onze anos, (blá, blá, blá centrado no eu), os jovens de hoje não ajudam os pais e fazem deles seus criados, não trabalham, não estudam e só querem é festas, alcool e drogas. As miúdas não podem trabalhar mas abortos já podem porque só sabem abrir as pernas" .

Como já expliquei, eu compreendo, de uma certa forma, o que algumas destas pessoas querem dizer. Mas dizem tudo mal. Escolhem mal as palavras e o que é pior: não sabem ler uma notícia. Parece que querem é falar DELAS MESMAS, dando-se a longas descrições da sua vida «miserável» como trabalhadores que se iniciaram na infância. A sério que acho que só comentam por sentir necessidade de desabafar isso.

E é feio. Acho mal. Existe uma altura um local e fazê-lo debaixo de histórias sérias, reais e graves não é o sítio. E julgar toda uma juventude pelos piores exemplos que se ouvem falar? O que é isso? Então e a muita juventude que é empenhada, trabalhadora, empreendedora? É tudo metido no mesmo saco? 

Esta omissão e parcialidade é só um dos «males» menores de toda esta presunção de auto comiseração que aproveita cada chance para falar do seu malfadado começo como criança que teve de trabalhar ao invés de estudar. Até diria que em muitos casos existe inveja e revolta por detrás destes comentadores. Inveja da liberdade da geração de hoje, revolta por não se conformarem com a própria vida que lhes foi imposta. Embora enalteçam a dignidade do trabalho - e ela existe, se fossem hoje jovens não sei se iam pegar no batente ou procuravam uns amigos para ir para os copos, fumar, beber e até se drogar. Sim, porque se fala desta geração como se drogas, álcool, cigarros e festas fosse algo exclusivo dos dias que correm quando drogas, álcool, cigarros e festas sempre fizeram parte da juventude. Juventude «perdida», «rebelde», o que o quiserem chamar. Ao menos hoje existem movimentos de juventude saudável, que se preocupa com a saúde. Acho que antigamente não existia tanto este tipo de consciencialização. E quando a raparigas a «abrir as pernas», também sei que não é nada exclusivo de agora. No passado também muitas o faziam. Isto não pode ser visto apenas no preto ou no branco.

Mas o PIOR é que este género de comentários, já os encontrei nas situações mais absurdas. Mais exemplos: casos de violação. Já imaginaram alguém praticamente dizer que a pessoa (mulher, rapariga, jovem) FEZ POR MERECER só porque «anda com saias curtas e decotes» ou porque «saiu de noite»? Eu já li isto!! É de um retrocesso social gigantesco. 


       

Parece a Índia, um país onde as mulheres estudam, trabalham mas quando chega o momento de serem encaradas na sociedade como iguais não existe igualdade alguma, existe um sexo inferior que faz com que todos os machistas digam que "fez por merecer".

Lembram-se da Jyoti Singh Pandey, que relatei aqui? A estudante de fisioterapia indiana que foi selvaticamente espancada e violada? Na Índia muitos não se compadecem porque é mulher e não estava trancada em casa. Tinha ido ao cinema com o namorado e por isso, acreditam muitos por lá, que os horrores que sofreu são igual a ZERO. NADA de importante. Os rapazes criminosos, esses sim, têm a compaixão de muitos. Sentem que estão a perseguir os criminosos e que não é justo os punirem!!

Por esta razão e por todas as que tenho vindo a relatar é que começa a me fazer confusão ler este género de comentários. Sei que provavelmente foram feitos por pessoas simples, de instrução limitada. Mas isso não justifica a ignorância. Não toda. Queria ver se fosse com filhos seus, se iam ter o mesmo discurso. "Mereceu" ser estuprada, mereceu ser espancada e agredida, porque «anda nas festas». É um absurdo este tipo de comentários, que já vi também serem feitos em referência a situações de escravatura e de exploração infantil! 

Antes de sentirem o impulso de falarem de vocês mesmos e de expiarem o que vos aperta a alma, vejam primeiro em que NOTÍCIA o estão a pensar fazer. Comentem a NOTICIA, não a vossa vida, sff.


sábado, 29 de março de 2014

Será que alguém anda a empurrar emigrantes ilegais borda fora?

Será que alguém os anda a empurrar borda fora?

Não é do desconhecimento geral que muitas pessoas envoltas em tratar da saída ilegal de emigrantes para outros países fazem disso um negócio ganancioso. Aproveitam-se do desespero e da miséria e cobram fortunas aos que têm coragem de procurar sorte melhor. E também não é de desconhecimento de ninguém que algumas dessas pessoas após se verem com o dinheiro são capazes de matar quem supostamente iam ajudar a escapar. Mas no mar? Como pode três botes de borracha surgir na costa espanhola e portuguesa intactos, virados para cima e surgirem vazios ou com um cadáver assassinado*(?) no interior? Será o homem um emigrante ilegal em fuga? Terá encontrado piratas no mar? Ou estava envolvido em alguma negociata de droga marítima gone wrong? Foi «apagado»?


Embarcação a ser alvo de peritagem 
* Facto por averiguar. Na semana passada foi encontrado um homem morto no mar de Albufeira. Apareceu dentro de um barco semi-rígido de borracha (uma embarcação algo "rica" para um suposto miseravel emigrante). A causa da morte foi uma pancada na cabeça. Naturalmente, teve de ser muito forte para matar. E não se escorrega num bote de borracha e se cai morto!



terça-feira, 4 de março de 2014

Medo de chulé


Conheço uma pessoa que não gosta de ver sapatos debaixo da cama. E só agora me ocorreu que a sua aversão a sapato no quarto, arrumado a um canto, pode derivar do medo do chulé.

Tenho a sorte de não ter chulé. Não tenho. Muito difícil ter mesmo. Claro que uma meia errada o sapato inapropriado pode inverter isso num instantinho. Moços, sei que adoram ver uma mulher de meias de licra mas a verdade é que calçando uma coisa dessas o chulé é garantido! Sabiam disso? Meia sedutora = a chulé no pé?

Por esse lado eu proibiria no quarto a presença das collans/meias/meia-calça de nylon ou licra depois de usadas. É que não se pode!

Mas antes que comecem a me rogar pragas por ser uma «sortuda» que não tem chulé nem que fique um mês sem lavar os pesões (ahahah, será que já fiquei?) fiquem sabendo que meu pé é mais delicado que o da Cinderela com o sapato de cristal. Ainda não encontrei meu sapato de cristal não! Aquele que serve que nem uma luva a mim e a mais nenhuma. Meus pés não gostam de calçado. É. Eu gosto, mas eles não gramam muito. Todo o sapato que calço dá dor, aperta, magoa, fere, dá calo, cria bolha, faz sangue eheheh. Vivi anos só de ténis. Naquela idade em que as meninas gostam de se produzir e só pensam em roupa e calçado de marca (sabem qual né? A adolescência!) eu andava de téni e bem simplezinho. Custavam 2.50€ o par ahaha! Só para verem a «qualidade». E não, ainda não existiam lojas dos chineses ou dos 300$... Era de feira mesmo!

Mas meus pezinhos nem sempre se davam bem com eles não. Pezinho delicado, de cinderela não aceita qualquer coisa não. Ora a sola era fina e cada passo acabava por quase ser de pé nu, ou a sola fazia doer e rasgava. Também o formato por vezes era estranho e o pé simplesmente se queixava no calcanhar ou na biqueira de estar demasiado apertado ou demasiado à vontade :)

Por vezes, só por vezes, ia buscar o sapatinho. Bem simples. Quase sapatilhas. Mas dava problema na mesma. Calcanhar ou biqueira. Dor, dor, dor. Bolha. E lá tinha o pé de voltar ao ténis. Anos se passam e um dia fartei. Fui calçando sapato e aguentando a dor. Menina está sempre reclamando de sapato de salto alto mas meu bem, se o problema é só o cansaço de estar no salto, você não sabe o que é sapato que dói não. Eu vou a todo o lado, ando muito a pé, e o tempo todo o sapato tá quase «matando». Uma pessoa acostuma e já sabe que assim que chegar a casa é chinelo! Claro que tem vez em que a falta de sorte no par não permite dar nem mais um passo. Aquilo aperta e magoa tanto, mas tanto, que só dá vontade de andar descalça na rua. Que se lixem as convenções. Já me aconteceu mas poucas vezes, felizmente. A dor, a bolha e tudo o mais que quase todo o calçado provoca a meu pezinho é tolerável. Mas não gosto não, de ter de arrebentar a bolha depois. Nem de ficar com os pezinhos magoados. Pelo que é só sabrinas para mim! Mesmo estas, de início, são difíceis de domar. Mas depois do pé as esticar, esticar, são uma maravilha. Pezinhos delicados podem ser pezões! Não acho que tenha pezões mas também não são meios-pés, como na antiga china em que a beleza do pé feminino era a mutilação do mesmo através da diminuição do seu tamanho através do uso de sapato apertado. Nossa, como eu entendo essas mulheres. Elas sofreram paca.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Arte hiperrealista

Estou numa de arte... hiperrealista!






E para quem quiser se aventurar na escultura em barro, esta é fácil, fácil...



sábado, 25 de janeiro de 2014

Ser praxado, praxar e ir ao mar... para lá ficar!


Quero começar por dizer que entendo o conceito de praxe. Mas duvido que algum dos nossos jovens universitários que praticam esses rituais estejam capacitados para executar uma praxe. Da forma como entendo o que a praxe é, julgo até que é coisa extinta do meio académico. A praxe como "complemento de inserção" à vida académica, como uma confraternidade e aprendizado que fortalece e ilumina ou como «desanuvio» da pressão da demanda exigente dos estudos É UTOPIA. Não existe mais. 

Imagem retirada daqui
O que acho que se passa actualmente por estas universidades a fora são rituais de abuso e humilhação iguais a tantos outros que se observam cada vez que se criam grupos. Gangs também têm rituais de iniciação. No presídio os detidos também passam por rituais de agressão e bulling. Ou seja, não é esse o caminho que o estudante universitário devia reproduzir. A praxe para continuar a existir e fazer sentido, honrando as "calças herdadas" devia remeter a tempos idos, ao início de Coimbra talvez... a tempos que simplesmente já não voltam mais e são impossíveis de reproduzir porque a sociedade actual é muito diferente daquela a que deu início a estes rituais. O jovem de hoje não é o mesmo de antes. Não tem o mesmo preparo, a mesma mentalidade, nem as mesmas experiências de vida ou expectativas. São contextos e mentalidades sociais, morais e familiares totalmente dispares.

Actualmente quem são a maioria destes jovens que praxam? Rapazes e raparigas que muito provavelmente tudo o que fizeram da vida foi estudar. Poucas responsabilidades. Muita diversão. Provavelmente recorrem à carteira dos pais para terem dinheiro para toda a espécie de gastos. Ainda não experimentaram um emprego em full-time e as respectivas vicissitudes. São jovens que se metem nestes rituais pressupondo que a eles têm direito e que deles ninguém tem legitimidade de os privar. Porque a sua vida social não tem "piada" se não se inserirem num grupo. 

É que a vida académica vivida em pleno é ainda mais dispendiosa que os custos relacionados apenas com os estudos e o aprendizado dos livros. Para se ser um estudante da Tuna, da associação, da comissão de praxe, seja o que for, é preciso investir MUITO dinheiro. Nenhum estudante que anda trajado fica barato aos pais que em princípio os sustentam. O traje é caro, é um fato que dos pés à cabeça só pode ser conforme manda a tradição. Sem dúvida alguma é uma despesa que vai sobrecarregar bastante as bolsas de quem já tem tantas outras consequentes despesas a pagar, como as propinas, os livros, etc. Para o caso dos estudantes que entram em escolas publicas e foram colocados fora da cidade, torna-se um gasto muito mais incómodo. Além das rendas dos quartos, da alimentação, das propinas, das despesas de deslocação e outras tantas varáveis, dar uns 200 euros ou mais por um traje, comprar não sei quantas camisas de muda, não sei quantas meias, sapatos, capa (um balúrdio) e tudo o mais... para pais que vivem em apertos pode mesmo ser de uma brutalidade descomunal.  Mas alguns (digo alguns) estudantes talvez não sejam capazes de entender isto porque chegaram à vida académica e se julgam no DIREITO de viver tudo isto sendo que para eles é praticamente uma obrigação parental sustentarem os custos que viver tal sonho acarreta.


Tudo isto que relato vem em consequência do trágico acidente na praia do Meco, em que SEIS estudantes trajados foram engolidos pelo mar, naquele que foi apenas mais um de muitos «rituais» da praxe académica. Estudantes de uma Universidade Privada, nas quais geralmente para se ser admitido basta se estar disposto a pagar. Alugaram uma vivenda para passar o fim-de-semana a executar praxes. De noite deram continuidade às mesmas no areal do mar invernal de Dezembro. Morreram todos vestidos a rigor - o último fato que vestiram em vida e que levaram para a morte, como uma esfarrapada mortalha negra.

Volto a repetir aquilo que disse no início do texto: compreendo a praxe académica. Mas discordo daquilo que percebo que é realizado por estas universidades a fora. Se o objectivo é fortalecer expondo os pontos fortes e fracos e criar laços de união entre todos, acho desnecessário que seja através da humilhação, da ofensa, do esforço físico desumano e dos abusos que se tenha de ir buscar tais objectivos. Existem outras maneiras - todas elas bem mais ACADÉMICAS, bem mais próximas do que um "irmão" de estudo devia ser. E é por desconhecerem isso que as praxes deviam ser banidas do contexto estudantil. Quem as faz não honra o conceito da mesma. É triste e vergonhoso!


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

petição contra venda de quadros

Mas quem terão sido as cerca de 6000 almas a se manifestarem contra a venda de 85 (!!!) quadros do pintor Miró, por parte do Estado Português??


Ei! Eu gosto de arte, sinto dó da perda mas... lamento. Entre ter 85 (!!!!!) quadros valiosos a mofar nos cofres do Estado sem sequer poderem ser apreciados pelo olhar público ou os vender, que se venda! Ao invés de andarem a vender empresas (que dão lucro), pavilhões e outros patrimónios nacionais, colocando em risco o emprego e os salários de centenas de trabalhadores... que vendam os quadros! Só é lamentável que não tenham começado logo por aí!

E que rendam balúrdios!
(Ou vou de bazuca dar cabo de tudo e todos) :D

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Lembram-se deste fantástico momento?

Quantos anos já se passaram?
Não importa. Ainda me vêm lágrimas aos olhos.
Para mim é impossível não me emocionar ao rever esta potente performance.