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| Bairro residencial de Nova Orleães após a passagem do furacão Katrina em 2005 |
É interessante as histórias que nos chegam ao conhecimento sobre um desastre épico do passado. Desconhecia, por completo, que um hospital em Nova Orleães (EUA) mas não só este como outros e também centros de idosos, aquando a passagem do furacão Katrina em 2005 e perante a consequente inundação e outros problemas, praticou a EUTANASIA.
Ao todo dizem que foram levados 45 cadáveres para a morgue, /um número bem acima de qualquer outro hospital atingido pela catástrofe. O furacão em si dizem ter causado 1000 mortes no total da área atingida. Em percentagem isso é muita morte para um só hospital! Parece que estas mortes em maior número foram investigadas e se concluiu que a administração optou por colocar um fim aos doentes terminais que começavam a padecer sem o recurso determinados tratamentos. Um médico e duas enfermeiras aplicaram a uns tantos pacientes injecções de doses excessivas de medicamentos, o que os conduziu à morte.
As culturas diferem muito umas para as outras. Nós por cá temos a felicidade de viver numa região sem furacões. OK, já tivemos alguns que foram em pequena escala no entanto suficientemente devastadores, mas não perturbam o dia-a-dia devido a serem bastante raros de ocorrer. Nos EUA é espantoso como existe duas caras, duas moedas! Num país onde a eutanásia é condenada quando solicitada por um paciente em sofrimento, de repente numa catástrofe já pode ser aplicada? E sem que o paciente tome conhecimento? Mas que critérios são estes?
Para mim é assassinato. O que é estranho porque entendo a eutanasia, mas entendo-a partindo da pessoa, de quem sofre. Ou do familiar que tem a decisão nas mãos. Após reflexão, informação e entendimento. Não de outros!
Confesso que fiquei chocada com esta informação. Compreendo a eutanásia mas não entendi esta. Para já a decisão não cabia só aos médicos. E que raios! São médicos!! Não fizeram eles o juramento de tentar salvar qualquer vida a todo o custo? Ainda mais durante catástrofes. Julgo que o comportamento por instinto de qualquer pessoa é tentar ajudar alguém que precise, se te encontras ali ao lado e podes fazê-lo, porque não? Foi o que se viu aquando o maremoto de 2004 na costa da Indonésia. É o instinto que assim o dita. Durante uma catástrofe quer-se viver mais do que nunca. Ter a vida assim em risco, inesperadamente, faz com que os instintos de sobrevivência aticem mais ainda. E creio que o mesmo se passou neste hospital, com estes pacientes, alguns em estado grave. Devem ter pensado: "Quero sobreviver! Tirem-me daqui e levem-me para segurança". E é quem jurou fazer tudo para manter uma vida que decide colocar-lhes um fim, sem que o interessado, o paciente, pudesse decidir.
Nos EUA estão a tentar aprovar uma lei que não responsabilize os responsáveis de saúde por casos destes em situações extremas. Eu fiquei pasma pois para mim é exactamente em situações destas que se faz de tudo para tentar salvar uma vida. Eles, os médicos, acharam que estariam a "poupar" o paciente terminando-lhe a vida.
Saiu um livro sobre esta situação (Five days at memorial, de Sheri Fink) que faz as pessoas se questionarem que planos deve um hospital ter em caso de catástrofe. Fiquei surpresa ao perceber que nos EUA não parece existir planos deste género! Em caso de inundação, de catástrofes, ter ou não geradores, onde estes estão situados para não ficarem alagados, etc... Existe muita coisa a planear por lá. E eles vivem numa região cheia de elementos da natureza potencialmente devastadores! Deviam ter tudo mais que planeado, mais que batido, tal e qual o Japão inteiro se preparou para os terramotos.
Por cá também temos os nossos "ses" com a saúde pública (e cada vez está pior) mas tem coisas que são melhores cá que lá. E uma dessas é que se leva a sério tentar salvar vidas. Por lá alguns donos de centros de idosos deixaram os mesmos se afogar. Foi a percentagem maior de mortes: os idosos. Não é escandaloso quando uma sociedade trata assim os seus doentes e velhos??




