que cá está ele!
Quanto a vocês não sei, mas eu cá sinto-me PRISIONEIRA em casa devido ao calor.
Precisei de honrar um compromisso ao ar livre num destes dias de calor. Naturalmente fui prevenida com chapéu e protector solar de mais alto nível. Ainda assim foi terrível! Foi penoso, foi até causador de mau-estar e de uma constipação de verão. Meu cérebro durante 24 horas parecia um forno micro-ondas. Latejava por todo o lado. O crânio humano é como uma panela de barro. Exposto a muito sol, o conteúdo começa a cozer. Cruzes!
Já sofri quando mais nova os efeitos de uma vaga de calor. Não recomendo. A desidratação, a confusão cerebral e, por fim, a inanimação. Não recomendo. Acho que perdi grande parte das minhas (boas) células cerebrais nessa altura. Por isso por muito farta que esteja do chamado "mau tempo" quando chove (porquê mau? Se chuva é má então para mim este de calor de 36ª é cruel), não tenho por hábito desejar o calor. Não. Jamais. Não se consegue fazer nada com o calor em excesso, a não ser transpirar e ficar grogue e desidratado. Adoro a luz e claridade da primavera e do verão, mas sem tanto calor, por favor! São Pedro, por mim, tás à vontade! Quando quiseres, ok? Manda vir...
sábado, 29 de junho de 2013
sábado, 1 de junho de 2013
Soutien SIM, soutien NÃO
A notícia pode ser lida aqui: segundo um estudo de apenas 15 anos (acho pouco), um professor de medicina desportiva concluiu que não existe qualquer benefício no uso da peça de indumentária chamada soutien - uma invenção com 100 anos . De facto, o investigador acrescenta que o uso da peça prejudica o peito, tornando-o mais descaído e maior.
Ora, devo dizer que o uso deste foi, para mim, um autêntico "instrumento de tortura" durante alguns anos, e por isso dispensado e sua utilidade e benefícios foi por mim questionada. Independentemente do que me pudessem dizer, eu gostava de andar como me sentia bem. E sentia-me bem SEM ele.
E foi assim que durante anos, até chegar a meio dos 20, raramente usei essa peça de vestuário. Ela era usada quando estritamente necessário, como quando uma blusa pudesse ser um pouco transparente ou quando tivesse de fazer alguma actividade desportiva. Digamos que, se o soutien serve para alguma coisa, é para isso. Correr sem ele a «comprimir» as «meninas» contra o peito é algo que pode ser um tanto doloroso. Julgo que é tenuemente o equivalente de um homem levar uma pancadinha "naquele" sítio. (Digam-me vocês, gajos, porque essa sensação também me intriga e não consigo imaginar mesmo como pode ser).
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| Vestidos da época napoleonica |
Bom, um pouco de investigação sobre a feminilidade indica que a mulher sempre se preocupou com essa parte do corpo. Na grécia antiga, por exemplo, elas usavam aquelas roupas largas, mas segundo parece, a sensualidade estava toda lá. Os peitos femininos eram enrolados em tecido. Uns com a finalidade de os segurar, outras vezes com a finalidade de os sobressair, outras de os ocultar. Confesso que gostaria de saber sobre outras formas de "tratar" das «meninas» ao longo da história da humanidade e esta foi a que achei mais curiosa. Se bem que a minha preferida - descobri agora - é a do periodo napoleónico, pois acho que este estilo de vestuário ainda hoje cairia bem na silhueta feminina, tornando-se, mais que não seja, um estilo bom para vestidos de casamento. Pesquisem sobre a história da lingerie nos links facultados. Porém, voltando ao soutien, cuja «descoberta» aos 12 anos não me trouxe nem contentamento nem descontentamento mas sim umas perpétuas marcas de elástico na pele (um autêntico instrumento de tortura, imaginam-se, homens, a usar constantemente uma peça de roupa interior assim apertada?).
O soutien foi inventado por uma mulher que, não gostando do resultado da aparência do espartilho no seu corpo debaixo dos vestidos, pegou em lenços e fitas para "decorar" aquela parte do espartilho que ficava de fora do decote. Fez sucesso nas festas e alguém enriqueceu muito com a invenção - mas não a própria. (E a Madonna acha-se muito esperta! Mas não foi ela que inventou os soutiens pontiagudos, que aliás, foram um must da década de 50/60)
| Pintura atribuida a Raphael, 1515/20 |
Então se formos a pensar bem, o soutien tem 100 anos! Uhau. Mas os espartilhos ainda se usavam faz pouco tempo... (para mim é pouco se a minha avó podia os ter usado ou privar com quem usasse). Isto quer dizer que muitas mulheres usavam o peito "elevado" ou "apertado" conforme o tipo de espartilho. Foi esta a peça de vestuário interior que durante anos serviu a mulher. E pode ser impressão minha, mas nos retratos e pinturas renacentistas (ok, as gajas eram todas miudas jovens) os nus não mostram seios descaídos... Até os "piquenos" são rijinhos, pelo que fica a dúvida se uma peça como o soutien, nisso, tem algum efeito, que é a questão levantada por este estudo.
Hoje já não vivo sem um. (Ah, pois é! A sensação de desconforto é uma constante ignorada pelo sexo feminino por condição biológica). 15 anos é pouco tempo para se tirarem conclusões e depende muito do estilo de vida e do tipo de sujeito investigado, assim como a quantidade. Que mulheres foram consideradas no estudo? Que peitos? Grandes, pequenos, médios, com que idade de maturação, com que actividade e dieta alimentar? Ah pois! Tudo isto influencia um seio... o organismo inteiro, para dizer a verdade. Os meus, já aqui confessei num post anterior, descairam um pouco. Até esse momento, nunca havia sequer pensado muito neles. Eram algo que vinha no todo, habituada que estava a os ter desde os 12... Mas quando algo no nosso corpo muda, de repente tornamo-nos muito conscientes da sua presença. E só se dá valor ao que está bem quando deixa de estar tão bem... Eles ainda são bem bonitinhos, mas estão diferentes e a diferença é a primeira coisa que me ocorre quando penso no assunto. No meu caso, foi depois de ter sofrido uma alteração química no organismo que notei essa diferença. E comecei a reparar neste tipo de coisas e a perceber também o quanto o factor biológico e hereditariedade influenciam. Ao mesmo tempo, também trouxe vantagens. Acabei por usar uma ou outra peça com um decote, coisa que antes não fazia porque sentia que evidenciava demasiado o peito, recebendo olhares, coisa que dispensava. E após décadas a usar roupa bem discreta, de preferência não justa ao corpo, heis que escolhi «estrear» a roupa com um ligeiro decote no.... Vaticano! Ehheh! Que lugar para usar pela primeira vez uma túnica com decote redondo... Escusado será dizer que um ou outro olhar de funcionários foram reprovadores, como se tivesse sido uma p*** toda a vida. Mas a túnica nada tinha de exagerado e, tal como eu gosto, até tinha meia manga nos ombros. Se não tivesse não me deixariam entrar, porque camisas de alças estão proibidas no local. E elas eram muitas, no pico de Verão e sobre um sol de derreter as pedras da calçada - como podem imaginar. Porém o "protocolo" do decoro deixaria as pessoas ali a morrer de desidratação e a sufocar de calor, antes de deixar uma mulher indisposta atravessar os portões do Vaticano de camisa de alças, eheh!
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| Mila Jovovich em Cannes, 2013 |
E como o tema dá "pano para seios", volto a prestar os meus elogios aos peitos naturais. Continuam a ser aqueles a que acho piada, sejam lá eles como forem. Vejam por exemplo Mila Jovovich na passarele vermelha de Cannes. Notam que lhe falta alguma coisa para ser sensual? Não me parece. Ela e Sharon Stonne, que até acredito por lógica que tem um peitinho trabalhado por um cirurgião para aos 55 anos os ter desta forma. Mas em todo o caso, não optaram por injectar mililitros em excesso no peito, denunciando logo a artificialidade. E por essa razão, por aparentarem um ar saudável e natural, estão de arrasar. Que acham?
A hereditariedade julgo que também tem algo a ver com isso. Tem lógica. Não é só o feitio, o aspecto mas também a biologia que define como um seio se vai comportar ao longo dos anos. Já percebi mulheres mais jovens que eu com um peito pior e também mais velhas com um peito ainda bem formado e empinado, pelo que este estudo carece de mais elementos e maior profundidade - julgo eu, para se poder concluir se afinal, o soutien faz ou não bem ao peito da mulher. Você acha que lhe conserva a juventude?
E porque é de soutiens que decidi falar não resisto em partilhar alguns "novos" modelos... Para apreciarem e avaliarem. A indústria procura sempre surpreender e inovar, trazer algo de novo. Qual destes você usaria?
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quarta-feira, 22 de maio de 2013
Dois exemplos de como se criam filhos (um intermédio seria o melhor)
Existem TRÊS coisas na cultura social do povo brasileiro que a mim me surpreendem. São elas:
1- O pequeno-almoço com todos sentados à mesa para enfardar um grande farnel
2- A presença de uma babá por tudo o que é lado para criar os filhos
3- Até o pobre tem uma empregada doméstica para todo o serviço
Calhei a ver um programa no canal Tv Globo com o título "Que Marravilha!!!". Nele, um chef de cozinha vai a casa de um casal celebridade para lhes fazer o prato favorito. Enquanto isso, ele faz perguntas ao casal, que começa a contar como se conheceram, o que acharam um do outro, como começaram a namorar, mostram os filhos e como são felizes. O programa quase sempre termina com um brinde e um beijo seguido de declarações de amor. Os três são antecedidos da degustação do prato e dos habituais elogios ao sabor: "maravilha", "delicioso", "perfeito" etc...
O programa em si não é muito empolgante e é um tanto tedioso, longo demais e com uma fórmula que é sempre igual. Quem vê um vê praticamente todos. Só muda a cara das celebridades.Dizem que o povo adora «cuscar» a intimidade dos conhecidos, mas a mim não me atrai esperar tanto tempo para ver uma receita pelo que não apostaria nesse formato cá em Portugal, muito menos no factor "celebridade" como principal motivador de interesse para audiências neste tido de programa. A menos que o chef-apresentador fosse jovem, desenrascado e carismático. E isso, à sua maneira, só a Filipa Vacondeus conseguiu atingir, pela forma de se expressar e pelas coisas que dizia. Mas quem aparecesse a seu lado seria acessório.
Voltando ao programa, não é tanto o conteúdo culinário, enjoativamente e forçadamente romântico ou vouyerista que me incomodou. Sim, algumas coisas me incomodaram. E por elas decidi escrever este post para reflectir um pouco na forma como um povo que partilha a mesma língua e tantas outras similariedades, consegue ser também tão diferente.
Existem TRÊS coisas que acho algo perturbadoras na forma como o brasileiro leva a sua vida social. Para mim algo conflictuosas ou surpreendentes comparativamente à forma como o português conduz a sua vida nas mesmas circunstâncias. São elas os pequeno-almoços, as babás e as empregadas. Nossa! No brasil toda a gente com dinheiro no bolso tem empregada. Uma para todo o serviço doméstico da casa e este costuma incluir cozinhar as refeições!
Em Portugal é preciso ser-se rico a quase e olha lá... Jamais um pobre tem empregada. Então?! A classe média raramente se dá a esses luxos - de pagar um ordenado a alguém porque o próprio não chegaria para isso. E geralmente a mulher nesta categoria tem de fazer tudo sozinha. Todas as tarefas domésticas, todos os cozinhados, limpezas, pagamentos de contas, toda a criação dos filhos, e ainda o trabalho fora de casa. No brasil até empregada tem empregada, como ironiza a novela "Avenida Brasil".
Depois tem os pequenos almoços de causar inveja mas também muita estranheza por cá. Uma mesa cheia com tudo em cima: sucos, água, leite, café, bolo, pão, queijo, fiambre, fruta e devo ter esquecido muito mais mas não importa. O que interessa é que por cá o pequeno-almoço é algo que se faz a correr e de pé, ou a caminho do trabalho. Uns fazem-no dentro do carro, no meio do trânsito. Outros disfarçadamente dentro do autocarro, porque graças a deus ainda existe algum decoro na regra mais ao menos estabelecida que em lugares públicos fechados não são locais para se fazerem refeições.
E depois vêm as babás... Aquelas criaturas fardadas, de uniforme monocolor, cabelinho atado, muito caladas, obedientes, submissas e serviçais. Mas o que é aquilo?? A sério... por cá alguém que ajudasse a educar os filhos de alguém exclusivamente teria muita mais intimidade com os pais. E poderia opinar, e ver-se livre daquelas roupas de diferenciação de classes e ser mais solta e realista. O que mais me faz espécie nestes três aspectos é mesmo este último. E agora vou explicar porquê comecei a abordar este tema pelo programa de culinária. A razão é simples: vi como os pais parecem distantes e desapegados dos próprios filhos! Sei que trabalham muito, com períodos de pousio, mas mesmo que tenham tempo livre, muito dele continua a ser exclusivo e não totalmente partilhado com a prole. Por cá é tãããõoooo diferente!! E é essa a diferença. Por cá damos em doidos, pode até ser, mas quem cria os filhos, em princípio e por norma, são os pais. Ou no máximo os pais dos pais. Para se entregar uma criança a um desconhecido é preciso reflectir muuuuuito. Não temos tanto esse costume, como no brasil têm com as babás que vivem em casa dos patrões e nos EUA/UK têm as au-pairs.
No máximo temos as creches, que são lugares onde muitas educadoras infantis em batas com padrões ou sem padrões vestidas por cima da roupa comum cuidam dos filhos de muitos, de forma igual e ao mesmo tempo tomando cada um pela sua individualidade. Ou mesmo amas, mas quase sempre, são os pais que têm de ir levar e depois ir buscar os filhos ao local onde se cuida deles. Não existe o comodismo de ter tudo debaixo do teto. (será por sermos mais pequenos geograficamente ou pela prática do rapto não parecer ser uma eventualidade realista?) Os pais correm para os filhos, brincam muito com eles, levam-nos às actividades extracurriculares, vão às reuniões de pais, vão ao médico com eles, alimentam-nos, vestem-nos, enfim. Todo o tempo livre que tiverem, geralmente é para os filhos. Terrível, bem sei, mas dá-se um jeito...
Então entra esta criança de uns 9 anos em cena e começam as perguntas da praxe. Ficamos a saber, nós espectadores, que a criança gosta de cozinha. E costuma cozinhar. Que é ela que aos fins-de-semana prepara o pequeno-almoço aos pais. (trabalho infantil gente! - brincadeirinha). Quando o chef pergunta à menina como ela costuma preparar uma certa coisa, a mãe corta a miúda e fala por cima, coisa aliás, que fez durante o programa inteiro a toda a gente, e faz questão de ser ela mesma a explicar como é que a filha lhe fazia a comida. Inclusive acrescenta que ela ia passar a cozinhar, ou algo assim. Fiquei perplexa. A miúda com 9 anos e já lhe estavam a querer atirar para cima a responsabilidade de cozinhar regularmente... achei mau. Intuí qualquer coisa errada ali.
Depois chegou a vez de outras celebridades de TV serem "agraciados" com um petisco do conhecido chef. Decidem para criar clima, tomar a refeição no terraço, trocar as juras de amor da praxe e depois o pai diz para as câmaras que quer mostrar a sua razão de viver ou algo assim - e estica os braços para o lado. Uma babá de uniforme rosa estilizado, com o cabelo apanhado num rabo-de-cavalo, avança uns passos e entrega um bebé de um ano e pouco às mãos do pai. JURO que a impressão que tive foi que aquele bebé ficou apenas 10 segundos ali a ser «mimado» pelos progenitores que rapidamente se cansaram e por isso foi prontamente e pouco emotivamente entregue de volta aos braços da babá, com um "leve daqui" - ou uma expressão semelhante, voltando a concentrar suas atenções neles mesmos e nos garfos que traziam a comida do prato até à boca.
, como canais da Globo
1- O pequeno-almoço com todos sentados à mesa para enfardar um grande farnel
2- A presença de uma babá por tudo o que é lado para criar os filhos
3- Até o pobre tem uma empregada doméstica para todo o serviço
Calhei a ver um programa no canal Tv Globo com o título "Que Marravilha!!!". Nele, um chef de cozinha vai a casa de um casal celebridade para lhes fazer o prato favorito. Enquanto isso, ele faz perguntas ao casal, que começa a contar como se conheceram, o que acharam um do outro, como começaram a namorar, mostram os filhos e como são felizes. O programa quase sempre termina com um brinde e um beijo seguido de declarações de amor. Os três são antecedidos da degustação do prato e dos habituais elogios ao sabor: "maravilha", "delicioso", "perfeito" etc...
O programa em si não é muito empolgante e é um tanto tedioso, longo demais e com uma fórmula que é sempre igual. Quem vê um vê praticamente todos. Só muda a cara das celebridades.Dizem que o povo adora «cuscar» a intimidade dos conhecidos, mas a mim não me atrai esperar tanto tempo para ver uma receita pelo que não apostaria nesse formato cá em Portugal, muito menos no factor "celebridade" como principal motivador de interesse para audiências neste tido de programa. A menos que o chef-apresentador fosse jovem, desenrascado e carismático. E isso, à sua maneira, só a Filipa Vacondeus conseguiu atingir, pela forma de se expressar e pelas coisas que dizia. Mas quem aparecesse a seu lado seria acessório.
Voltando ao programa, não é tanto o conteúdo culinário, enjoativamente e forçadamente romântico ou vouyerista que me incomodou. Sim, algumas coisas me incomodaram. E por elas decidi escrever este post para reflectir um pouco na forma como um povo que partilha a mesma língua e tantas outras similariedades, consegue ser também tão diferente.
Existem TRÊS coisas que acho algo perturbadoras na forma como o brasileiro leva a sua vida social. Para mim algo conflictuosas ou surpreendentes comparativamente à forma como o português conduz a sua vida nas mesmas circunstâncias. São elas os pequeno-almoços, as babás e as empregadas. Nossa! No brasil toda a gente com dinheiro no bolso tem empregada. Uma para todo o serviço doméstico da casa e este costuma incluir cozinhar as refeições!
Em Portugal é preciso ser-se rico a quase e olha lá... Jamais um pobre tem empregada. Então?! A classe média raramente se dá a esses luxos - de pagar um ordenado a alguém porque o próprio não chegaria para isso. E geralmente a mulher nesta categoria tem de fazer tudo sozinha. Todas as tarefas domésticas, todos os cozinhados, limpezas, pagamentos de contas, toda a criação dos filhos, e ainda o trabalho fora de casa. No brasil até empregada tem empregada, como ironiza a novela "Avenida Brasil".
Depois tem os pequenos almoços de causar inveja mas também muita estranheza por cá. Uma mesa cheia com tudo em cima: sucos, água, leite, café, bolo, pão, queijo, fiambre, fruta e devo ter esquecido muito mais mas não importa. O que interessa é que por cá o pequeno-almoço é algo que se faz a correr e de pé, ou a caminho do trabalho. Uns fazem-no dentro do carro, no meio do trânsito. Outros disfarçadamente dentro do autocarro, porque graças a deus ainda existe algum decoro na regra mais ao menos estabelecida que em lugares públicos fechados não são locais para se fazerem refeições.
E depois vêm as babás... Aquelas criaturas fardadas, de uniforme monocolor, cabelinho atado, muito caladas, obedientes, submissas e serviçais. Mas o que é aquilo?? A sério... por cá alguém que ajudasse a educar os filhos de alguém exclusivamente teria muita mais intimidade com os pais. E poderia opinar, e ver-se livre daquelas roupas de diferenciação de classes e ser mais solta e realista. O que mais me faz espécie nestes três aspectos é mesmo este último. E agora vou explicar porquê comecei a abordar este tema pelo programa de culinária. A razão é simples: vi como os pais parecem distantes e desapegados dos próprios filhos! Sei que trabalham muito, com períodos de pousio, mas mesmo que tenham tempo livre, muito dele continua a ser exclusivo e não totalmente partilhado com a prole. Por cá é tãããõoooo diferente!! E é essa a diferença. Por cá damos em doidos, pode até ser, mas quem cria os filhos, em princípio e por norma, são os pais. Ou no máximo os pais dos pais. Para se entregar uma criança a um desconhecido é preciso reflectir muuuuuito. Não temos tanto esse costume, como no brasil têm com as babás que vivem em casa dos patrões e nos EUA/UK têm as au-pairs.
| Foto do site Cruz-Vermelha |
A tendência pode estar a inverter, não sei, mas existe uma diferença BRUTAL neste aspecto entre as duas culturas. Talvez por isso nós por cá sejamos "crianças" mais tempo e "adultos" mais tarde. Talvez por isso, lá é muito comum os adolescentes se iniciarem nas relações amorosas e sexuais nas tenras idades de 12 e 13 anos e por cá ainda as estatísticas estejam na maioria dos casos muuuuuito longe desses assustadores números. Decerto vão criar crianças que viram adultas mais cedo, logo experimentam tudo mais cedo, pois o desapego tende a que isso aconteça. Por outro lado, tornam-se independentes mais rapidamente.
Mas que vi eu neste "Marravilha!!" que me afligiu? Vi uma família de dois artistas de TV com uma filha de uns 9 anos de idade e outra com uma criança de um ano e meio. No programa existe sempre uma "pontinha" para os filhos integrarem a peça, de modo a mostrar a "família feliz". E sendo-se "família" com filhos, há que mostrá-los, certo?
Então entra esta criança de uns 9 anos em cena e começam as perguntas da praxe. Ficamos a saber, nós espectadores, que a criança gosta de cozinha. E costuma cozinhar. Que é ela que aos fins-de-semana prepara o pequeno-almoço aos pais. (trabalho infantil gente! - brincadeirinha). Quando o chef pergunta à menina como ela costuma preparar uma certa coisa, a mãe corta a miúda e fala por cima, coisa aliás, que fez durante o programa inteiro a toda a gente, e faz questão de ser ela mesma a explicar como é que a filha lhe fazia a comida. Inclusive acrescenta que ela ia passar a cozinhar, ou algo assim. Fiquei perplexa. A miúda com 9 anos e já lhe estavam a querer atirar para cima a responsabilidade de cozinhar regularmente... achei mau. Intuí qualquer coisa errada ali.
Sou a favor das crianças começarem cedo a tomar responsabilidades pois por cá isso demora a acontecer. Mas a forma como aquilo ficou no ar tudo foi algo estranha... Soou um pouco a aproveitamento e exploração. Até a «empurrão». A mãe a falar da filha a cozinhar como se, perdoem-me, pudesse dispensar a empregada e economizar uns trocos. Mas nem foi isso que mais me afligiu. O mais aflitivo foi mesmo ver a senhora a falar por cima de toda a gente. Não deixava quase nunca ninguém continuar o raciocínio. Ela falava imenso por ela mesma e pelos outros todos também. Interrompeu a filha, o marido e até o chef. Ela cortava a palavra a todos. Claro, na cozinha ela não sabia fazer nada. Mas sabia mantar muito bem. Achei aquilo de uma certa má educação e um mau exemplo para passar na televisão nacional/internacional. Porque a ideia com que se fica é talvez contrária da que se deseja passar. Ali ela "vestia as calças", em todos os sentidos.
Depois chegou a vez de outras celebridades de TV serem "agraciados" com um petisco do conhecido chef. Decidem para criar clima, tomar a refeição no terraço, trocar as juras de amor da praxe e depois o pai diz para as câmaras que quer mostrar a sua razão de viver ou algo assim - e estica os braços para o lado. Uma babá de uniforme rosa estilizado, com o cabelo apanhado num rabo-de-cavalo, avança uns passos e entrega um bebé de um ano e pouco às mãos do pai. JURO que a impressão que tive foi que aquele bebé ficou apenas 10 segundos ali a ser «mimado» pelos progenitores que rapidamente se cansaram e por isso foi prontamente e pouco emotivamente entregue de volta aos braços da babá, com um "leve daqui" - ou uma expressão semelhante, voltando a concentrar suas atenções neles mesmos e nos garfos que traziam a comida do prato até à boca.
Existem GIGANTESCAS diferenças sociais na forma como os pais encaram o modo como têm de educar os filhos. Tanto cá, como lá, como na china e por este mundo fora. Pode até ser que nenhuma esteja perfeita, a nossa não é também decerto devido ao desgaste, porque sobrecarrega-se muito os pais, na generalidade. Mas entre os pais e um desconhecido, acho que um pai prefere ser ele a tomar em mãos a educação dos filhos, a criação, a troca de fraldas, a alimentação, a brincadeira...
No brasil tudo parece acontecer mais ao ritmo da disponibilidade e paciência dos progenitores. Se por cá fossemos aguardar por paciência... Esta tem de existir e pronto! Basta ler, a título de exemplo, uma crónica publicada na revista de Domingo do jornal Correio da Manhã, onde um pai de quatro conta como é o quotidiano dele e da esposa que trabalha como enfermeira desde o acordar até o adormecer, com todas as responsabilidades da escola, das actividades, das atenções que os miúdos requerem, etc... Imaginem isto tudo nas mãos de babás! E é isto um pouco que acontece por terras do lado de lá. Aquelas celebridades pegaram na criança, não sei, de forma pouco afectiva. As palavras que evocavam afecto foram pronunciadas. Mas a linguagem não verbal parecia dizer outra coisa. Devolvem a criança como um saco de batatas de volta aos braços da ama, concentrando-se novamente na comida em frente de seus olhosÉ muuuuito diferente. E melhor não sei explicar, mas que é, é. E muito. Não digo que tudo é pior nem tudo é melhor, certamente um meio-termo seria talvez o ideal. Mas assustou-me a frieza.
, como canais da Globo
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quinta-feira, 25 de abril de 2013
Já alguma vez PENSOU quem seria e o que FARIA se vivesse durante o Holocausto?
Tomem atenção ao texto que se segue (retirado daqui). Ele resume BEM porquê as pessoas devem pensar por elas próprias e não se deixarem cair na comodidade de agir ou pensar conforme as massas. Programas de TV em particular, têm a capacidade de facilitar o esquecimento, confundir... Não é preciso ser-se génio, só apenas um pensador. Por isso, pense. Pense sempre. Escute a sua alma e deixe a sua capacidade de discernimento e não a dos outros, ditar o que acha certo ou errado. Se você vivesse na Alemanhã Nazi durante o Holocausto, como um entre a multidão, qual é que acha que seria a sua atitude diante do sucedido? Diferente daquele 1 ali na multidão?
Adolf Hitler acreditava que a propaganda deveria ser sempre popular, dirigida às massas, fazendo com que “o mais ignorante dos seres” fosse capaz de entender sua mensagem. “As grandes massas têm uma capacidade de recepção muito limitada, uma inteligência modesta, uma memória fraca”.
Por isso na propaganda política e na divulgação da moral nazista, era importante se restringir a pouquíssimos pontos e, repeti-los incessantemente. Só assim seria possível atingir o coração das grandes massas.
E para o movimento nazista tudo era valido. Mentiras e calúnias. “Para mentir, que seja uma grande mentira, pois assim sendo, nem passará pela cabeça das pessoas ser possível arquitetar uma tão profunda falsificação da verdade”. – Hitler.
Ele não mentiu. Mas já que o coelho saiu da cartola, você vai deixar que continue a funcionar? Não. Pense, questione e até desconfie. Veja para além do óbvio mas sem ser alucinado.
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quarta-feira, 24 de abril de 2013
A ficção e a realidade
A televisão diz-nos que as coisas são para ser assim:
Mas a realidade tende a aclarar com o tempo...
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terça-feira, 16 de abril de 2013
Explosões na maratona de Boston
Se há algo que não entendo é o que pode um anormal qualquer tirar de proveitoso em mandar para os ares meia dúzia de inocentes. Quer dizer, as pessoas mais simples, que se deram ao trabalho de sair de casa para espreitar a maratona, é que são vítimas de um atentado de cariz terrorista?
Ó terroristas, pá? Que satisfação têm vocês nisso? Se acham que têm algum problema com alguém, vão atrás dessa pessoa! Ora, é de muito "macho" explodir um pai com uma criança às cavalitas, um velho que foi espreitar a corrida da neta... Por favor! Esses é que são perigosos?
Tenham vergonha na cara. Se querem andar em guerra, ao menos que os alvos sejam quem sabe guerrilhar. É este tipo de pobreza mental que não entendo e que lamento muito que exista no mundo.
Vendas de quintal
Se há algo que lamento não existir em Portugal, é o hábito americano de "vendas de quintal".
Compreendo em muitos sentidos porquê, de certa forma, é inviável e arriscado praticar algo desse género por cá. O principal motivo é que muitos não têm quintal! Vivemos quase todos em apartamentos e se tiverem a sorte de ter uma área ajardinada/relvada, já é um tanto. Os que têm quintal, arriscam-se a expor demasiado as suas vidas, o seu lar, podendo a ser alvo de marginalidade. Mas não entendo PORQUÊ não se fazem mais iniciativas locais para que QUALQUER PESSOA possa ir a uma "feira da Ladra" (espaço comum) vender as suas traquitanas. Isso não entendo MESMO.
O desejo de executar uma "Venda de Quintal" foi de alguma forma colmatada com a internet e com os sites de classificados online gratuitos. Confesso que já fui ao "Custo Justo" ou ao "Olx" lá colocar um ou outro artigo de que me queria desfazer. E ainda que não cobre nada para além de uns poucos euros, fico contente quando alguém revela interesse por algo que não quero mais.
Mas todas as moedas têm dois lados e claramente no caso dos classificados online, a questão é que quem vai para vender, indubitavelmente acabará por comprar! Não sei como é com a maioria das pessoas mas eu, que não sou muito dada a consumismos, passei por uma fase em que decidi comprar uns artigos. Foram esses gastos que me levaram a experimentar a venda. Porém, a proporção de gasto/ganho continua muito desproporcional. Os meus "troquitos" com vendas de pequenos objectos baratos como se fosse realmente uma venda de garagem, não vão compensar os gastos em peças que comprei com valores mais elevados. Nem daqui a um ano, a este ritmo, vou lá chegar :) Mas confesso que me apraz saber que algo mais saiu aqui dentro de casa, liberando o espaço, ganhando novo alento. Isto também motiva por aí alguém?
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