Estou a ver um programa sobre crimes nos EUA, "ADN - culpado ou inocente" e deparo-me (pela primeira vez) surpreendida com a quantidade de anos de uma sentença das leis de lá: 1700 anos!!
Imaginem... Um crime que merece 1700 anos! Um criminoso que receba uma pena para diversas gerações quase que a regredir aos tempos de Cristo se fosse a andar para trás, decerto que não vai se comportar como um "criminoso exemplar" dentro da sua PERPÉTUA morada enquanto ser vivo...
Não sou a favor da pena de morte, mas também não sou a favor do doutoramento na escola do crime...
Mas fico a pensar: e se fosse possível cumprir realmente esse tempo? E se fosse possível chegar perto desse indivíduo e dizer: "não, não!". Tu não vais morrer já! Toma lá esta injecção que tens mais 1683 anos de sentença de encarceramento para cumprir"!
Se isso fosse possível, iam estas pessoas atrozes medir os seus actos antes de os cometer?
Este criminoso, Robert Eugene King (os grandes criminosos nos EUA parecem ter todos três nomes. Desde o palhaço que arcou com as culpas do assassinato isolado de JFK que essa tendência parece ser uma constante - pobre das crianças assim baptizadas pelos papás, já ficam numa pre-disposição criminosa :) ) recorreu ao ADN para tentar escapar da prisão, dizendo-se inocente. Não era. Espancou, violentou e queimou uma mulher de 51 anos que era freira. Só que a senhora sobreviveu porque alguém logo viu o fogo onde este criminoso que se dizia inocente a deixou viva a estorricar e chamou os bombeiros. Infelizmente, inocentes também vão parar à prisão mas a grande maioria dos pedidos de recursos ao ADN para revisão de sentenças parte de indivíduos com esperança de poderem enganar o sistema. Já que o ADN é simultaneamente exato mas também volátil, os criminosos não têm nada a perder na tentativa de se verem livres do encarceramento e de voltarem à liberdade das ruas fiando-se na esperança de um sacana de um advogado sem escrúpulos e de uma brecha no ADN... Mas dão-se mal. Em caso inconclusivo, ficam onde estão.
Adiante: neste tipo de programas, já soube de crimes mais pavorosos. Num dos que mais me impressionou e me revoltou uma criança de 12 anos havia sido torturada de todas as formas possíveis, dolorosa e prolongadamente, terminando por ser enterrada ainda viva. Os dois criminosos foram pegos porque a sua total falta de empatia para com a vida humana fê-los obrigar o melhor amigo desse rapaz, que também fora raptado, a participar na tortura do amigo. Foi forçado a aplicar golpes de pá na cabeça, a queimar, a pontapear e a escutar os pedidos de súplica e um olhar mais intenso da vítima em sua direcção. Descobri aqui que as pessoas quando se deparam numa situação destas são capazes de extremos para sobreviver. O instinto, a vontade de se manter viva, de não sofrer o mesmo destino. O rapaz pediu para participar no espancamento e por o ter feito com aparente deleite, foi poupado pelos criminosos. Logo de seguida foi a uma esquadra e contou tudo.

Para mim, este crime australiano (e muitos outros chocantes que aquela terra já viu) foi o pior de muitos que ouvi. E por isso, a sentença destes palhaços, cuja culpa é inegável, só a queria eterna e sofrida. Foram condenados sim, a uma dezena de anos de prisão! Sairam em metade do tempo por "bom comportamento" (estão a gozar??) e ficaram LIVRES. Mudaram de nome e um até teve a oportunidade perfeita de um recomeço para uma nova vida: além do nome alterado, mudou também de sexo: virou mulher. Mulher! Uma nova vida de muitos anos pela frente! Um novo género... e um crime ATROZ nas costas. Não é justo! Porque o menino de 12 anos que brutalmente assassinaram, assim como o melhor amigo deste que jamais se recompôs do trauma e dos pesadelos de ter participado na morte selvagem do amigo, não mais tiveram qualquer oportunidade.
Em Portugal a sentença máxima por qualquer crime é de 25 anos. Depois deste tempo, qualquer um é

livre. Sei que é uma lei contestada, mas eu compreendo-a. Acho-a humana. Coisa que falta a muitos que cometem crimes pesados, é verdade. Tenho perfeita consciência que existem indivíduos que não podem viver soltos na sociedade, sem lhes querer sempre fazer mal. (Arakiri para todos?) Mas não existe hipótese de regeneração quando alguém sabe que a sua vida acabou. Daí adiante só pode se revoltar e fazer o que conseguir para piorar a situação e provocar o sistema de autoridade que o encarcera. Dedicam-se de corpo e alma ao crime, corrupção, poder de intimidar e apavorar, etc. É DEPOIS de alguns mais perigosos SAIREM que as coisas se tornam mais complicadas. Liberdade restrita, devia talvez ser o ideal. Mas cumprida a pena, são livres. Não faz sentido terem alguém a "vigiar". Devem sim, ter alguém que se responsabilize... Mas quem quer esse fardo? Quem de bom grado aceita estender a mão a quem já se sabe capaz de a decepar à facada? Lembrei agora da tal familiar do criminoso dos crimes na praia do Osso de Baleia... 25 anos se passaram e o indivíduo é agora um homem livre. Livre para a sociedade, mas não livre da obscuridade da sua própria mente. Tem de lutar todos os dias contra uma "vontade" de magoar os outros. Sinceramente, o que se faz? O que é certo?
Colocá-los a todos numa ilha? Sim, porque isso existe, já foi feito. E ao que sei os criminosos "soltos" nessa ilha queixam-se de tudo e não gostam da situação. Julgo até que cá em Portugal «gosta-se» de «importar» uns tantos criminosos... mas não sei ao certo. Estou por fora deste universo (graças a Deus) mas não é por isso que não sei que ele existe.
Sinceramente... Não sei. E pretendo nunca vir a saber por via alguma!
Mas o que acham? Quem me lê e quem entende um pouco disto? Concordam com penas pesadas? Mudavam as coisas em Portugal? E para um país que cedo aboliu a pena de morte, acham certo a regressão?