sábado, 26 de setembro de 2009

Comemos demais

O ser humano é uma criatura de hábitos. E como tal, não é fácil alterar as suas rotinas. Isto é ainda mais verdadeiro quando se tratam de costumes intrínsecos desde que existimos como gente. Como por exemplo, a alimentação.


Por estes dias tenho visto Humberto Barbosa em entrevistas na televisão. O especialista em nutrição tem uma forma particular de focar a questão monetária em torno deste tipo de intervenções. Disse ele numa ocasião, que uma consulta de lipoaspiração não invasiva era muito barata. Quando questionado de que valor estava a falar, atira para o ar a singela quantia de 1500 euros, como se de trocos se tratassem. Noutra ocasião mais recente, quando questionado novamente sobre os valores praticados por este tipo de consultas médico/estéticas, o nutricionista responde algo do tipo: "É muito barato porque as pessoas vêm às consultas para aprenderem a poupar dinheiro. Para aprenderem a economizar no supermercado. E poupa-se muito dinheiro".


Isto é tudo muito interessante. Claro está, decerto que muitos destes comentários são uma posição de defesa. Certamente não acredito que uma pessoa com apenas 1500 euros, consiga fazer uma liposaspiração com a técnica mais recente e menos evasiva que se conhece até o momento. Ainda noutro dia numa conversa de café, uma amiga referiu que queria levantar os seios, mas que o mínimo que lhe cobram são 5000 euros. Ora, se o que tem mais procura é mais barato, como também o disse o referido nutricionista, este valor já está lá no alto, bem longe dos "míseros" 1500 euros.


Temos que ver que o salário mínimo nacional ronda os 550 euros. Portanto, estamos a falar dum mínimo de 3 vezes esse valor. Mas o certo é contar com o salário de 1 ano para uma intervenção destas. Claro que 1500 euros é "barato" para quem tem outras posses. Ou para a intervenção em si, os custos, a ciência envolvida. Mas não se pode dizer que seja barata para as carteiras dos portugueses.


Tenho o maior fascínio, sempre tive, pela ciência aliada à medicina e acompanhava os avanços que se iam fazendo na área, pelas revistas, ao longo dos anos. Admirava estes feitos estrangeiros, imaginando que, um dia, dali a uns anos, estes não seriam procedimentos apenas disponíveis no Reino Unido ou nos EUA. Um dia, chegariam a Portugal. Pois chegaram. Ainda bem. Nada tenho contra, pelo contrário. Mas ainda continuam um pouco fora do alcance da maioria. Claro que, como insinua Humberto Barbosa, tudo é uma questão de vontade e mentalidade.


Mas convenhamos: somos um país onde se come bem. Onde se aprendeu, desde pequenino, a comer muito. Quem de nós não estava proibido de se levantar da mesa até acabar tudo o que estava no prato? E ainda punham mais puré, mais arroz, mais massa, para «acabar e não sobrar»? As papas Cerelak, o leite oferta nas escolas... uma geração pós 74 viu a sua educação alimentar alterada bruscamente, quando comparada à anterior. Os nossos hábitos alimentares estão errados sim, pelo excesso. Comemos muitos doces, ingerimos muitas calorias. Não fazemos nenhum exercício. Isto não é novidade para ninguém.


Mas quem já vive com pouco no bolso sabe-o melhor que ninguém. Pois uma ida ao supermercado já inclui essa "visão" de "poupança" que os clientes de Humberto Barbosa vão adquirir à(s) sua(s) clínica(s). Quem tem pouco já faz dieta. Não compra chocolates, bolos, bolachas calóricas, mas também não traz as de dieta, com mais nutrientes, porque pesam na carteira mais que as outras, singelas, baratas... Há noite come-se uma sopa, ao almoço metade do peito de um frango, não se bebem bebidas alcóolicas nem refrigerantes, só água... e por aí adiante. Mas também estes, os que têm muito pouco, já sofrem o suficiente com a miséria e querem, muitas vezes, ganhar um mimo: umas cervejas, uns sumos de garrafa, umas batatas fritas de pacote... cozinhar também sai caro! Na conta do gás e da água... o Macdonald´s está ali ao lado, com um hamburguer prontinho, por apenas 1 euro...




Actualmente é preciso ganhar muito bom dinheiro para aprender... a ter hábitos de pobre! Mas quem tiver dúvidas quanto à forma mais adequada de tratar o seu corpo, a sua alimentação, basta tirar o exemplo de duas gerações atrás. Antes de Abril de 74, muito antes, no tempo da miséria, das vacas magras, esqueléticas mesmo, para a maioria...



Nunca ei de esquecer de ouvir a minha mãe falar o quanto a sua infância foi privada de coisas boas. Na alimentação em particular. Numa ocasião tive oportunidade de falar com o seu pai que me contou, com visivel satisfação, o quanto a sua filha teve sorte, por ter podido crescer alimentada com papas de farinha! Portanto, cada geração acha que os seus filhos chegaram num momento mais abençoado... e com razão.



Se um dia quiser seguir à risca uma dieta equilibrada, juntamente com um estilo de vida saudável, não tenho de fugir muito dos hábitos da geração dos meus avós. Salvo momentos de excepções (festas, convívios e também hábitos sociais), o modo de vida desta geração pautava-se pelo muito trabalho, com muito esforço físico, caminhadas ou deslocações longas por bicicleta. Horários fixos para a alimentação. Pequeno almoço reforçado, para começar o dia com energia. Marmita para o almoço. Verduras, legumes... jantar ás 18 horas: um prato de sopa. E fruta, muita fruta colhida da árvore, para o lanche, para a sobremesa...





Os chouriços do Cozido à Portuguesa e o copo de vinho às refeições ou na sopa de pão (afinal, agora diz-se que faz bem ao coração - eles lá o sabiam...) foram a maior "ameaça" ao colesterol desta geração. Doces altamente calóricos? Nah! Venham as filhoses de abóbora no Natal!

sábado, 1 de agosto de 2009

ESTÉTICA A QUANTO OBRIGAS


Posso não entender muito de estética feminina mas tenho instinto para saber no que vale a pena apostar.
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A primeira vez que ouvi falar na depilação definitiva soube que era isso que queria para mim. Estavamos em 1986 e li numa revista sobre o método da electrólise. Uma agulha que actuava directamente no pêlo, eliminando-o «para sempre». Causava dor, referida como "sensação de desconforto" para não afastar potênciais interessadas. Mas diziam que era momentânea e passava. De resto, o outro método mais avançado conhecido, a cera quente, também causava dor, pelo que, presumo que qualquer mulher aceitaria esta condicionante, aliás, sua amiga íntima que faz visitas regulares.
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Em 86 era uma miúda que ainda estava para ter pêlos indesejáveis... então pensei cá para mim: bem, isto ainda não deve existir em Portugal ou não está acessível a qualquer um. Sou nova. Quando chegar a altura, decerto que a coisa já evoluiu e inventaram alguma coisa que seja sem dor e, de preferência, sem «electricidade».
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Pois a intuição estava certa. Infelizmente, ainda não experimentei o método, por razões várias. Mas aponto também uma falha em tudo isto: sabe-se que existem "n" coisas, mas a informação não nos chega organizada. Ou seja: sabemos que existem riscos e vários sistemas. Como escolher? É aqui que a coisa vai sendo adiada...
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Neste espaço de tempo também não fiz opções drásticas... a cera quente, viessem elogiá-la quantas vezes quizessem, nunca me convenceu. A gilette - solução avançada pela minha mãe que não podia preocupar-se menos com o meu «drama», estava fora de questão. Até que chegaram as bandas de cera fria, em tiras... práticas, sem grandes dramas ou complexidades e ainda por cima, ajudavam a remover restos de cera com facilidade. Para mim tinham um grande inconveniente: demora imenso tempo!

Nã... aquilo também não era para mim. Mas lá teria de desenrascar. Anos se passaram e consegui chegar há idade adulta sem ter experimentado depilar os pêlos nas pernas com gilette ou pinça. Para depois, aos 20 e tal anos, desenvolver uma neura incontrolável de estragar tudo, não só nas pernas, mas igualmente em outras partes do corpo com pele! E que bonita e saudável era ela - sempre me disseram. Agora aguardo que a tecnologia aliada ao laser possa fazer um «milagrezinho» e passar uma borracha nas ténues mas visíveis cicatrizes que me dei. Não sei bem porquê desenvolvi este súbito hábito de «massacrar» a pele. Existe um nome para isto, algo que termina em «ia», do género «fobia», «mania»... uma ia!

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Mas não deixo de achar engraçado como as coisas evoluem. Sempre me fascinou a evolução aliada à tecnologia e quase como que adivinhava o que o futuro iria trazer. Agora até já se pode «queimar» calorias, literalmente... nenhuma cirurgia ou agressões físicas são necessárias. E o melhor de tudo isto, é que as coisas também estão a evoluir de modo a pesarem mais no prato da balança da saúde.
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Se remover pelos é bonito estéticamente, é um erro em termos de higiene. Dizemos o contrário, porque vivemos presentemente numa sociedade que gosta de ver os outros depilados. Mas a depilação, ainda mais na parte íntima, facilita o aparecimento de infecções, de cheiros, de irritações de pele... embora nada disso nos convença. Queremos ser hair-free!
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A verdade é que estes novos métodos, são preferíveis em termos de higiene e de saúde. Já que vamos remover os pelitos, que o façamos da forma mais indolor e segura possível. A cera quente, por exemplo, quando mal utilizada, é conhecida por causar queimaduras graves. Agora dizem também que pode provocar cancro, além que acarreta riscos de higiene quando feita em centros de estética, pois os materiais se não forem estilizados, podem-se passar infecções de cliente para cliente... assim como as pedicures e as manicures... está tudo a evoluir para a beleza obtida com a ajuda de máquinas, sem dor e com mais saúde! Haja dinheiro que esse, não anda a aumentar e ninguém se lança nestas coisas sem ter um pé de meia. Os que facultam estes serviços, digam o que disserem , são coisas caras. A teia de procedimentos está feita de modo a que a pessoa gaste várias vezes. Por exemplo: tudo precisa de consultas. Antes de chegar ao tratamento em si, já está a gastar para explicar o que quer. Depois existem medicamentos, dietas, e mutias dicas que, sinceramente, acjo que vale a pena experimentar. Mas para isso, não se iludam: é preciso ter bolsa!
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Termino este longo post facultando um link para um texto FANTÁSTICO, que desmitifica de vez o que é uma depilação... Sem truques: é assim mesmo! E ainda vêm dizer que no tempo de Cleópatra eram todos uns bárbaros!

MICHAEL JACKSON II


Este título tem duplo sentido. Refiro-me ao artista que faleceu e ao suposto filho, já adulto, dançarino e pronto a ocupar o lugar deixado pela estrela Pop, caso interesses monetários falem mais alto.
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Vi nas notícias o pai de Michael admitir saber da existência deste filho e afirmar que ele é parecido com o progenitor, herdando inclusive, o seu jeito como bailarino. Que bonitinho!... estará o avô a querer encontrar outro «pote de ouro»?
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Não nos podemos guiar pelas aparências, até porque entre eles, os irmãos são todos muto indênticos... o rapaz até pode ser seu sobrinho ou nem sequer ter qualquer parentesco. Uma coisa é certa: ao morrer, MJ está a ser relembrado não tanto pelas polémicas mas pelas músicas que já andavam «apagadas» das rádios. E por histórias, que prometem revelar «o outro lado» do artista.
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.Michael pareceu ter levado uma existência triste. Uma vida de artista que começou cedo e o impediu de amadurecer, uma percepção distorcida da vida e talvez, uma incapacidade de perceber e diferenciar quem o rodeia por ele e não por causa dele. Mas também... até os comuns mortais têm essa dificuldade em saber quem é seu amigo...
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Rico, idolatrado por multidões irracionais, sensível e assim fácil de enganar e manobrar, comprador compulsivo tal e qual uma criança, que se deixava encantar pelas coisas que encantam as crianças...
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O tempo dirá o que mais virá.

DE GENIAL A MONSTRO


Uma estrela pop foi para o céu. Chamava-se Michael Jackson. Dizia-se que seria recordado pelas muitas polémicas em que se viu envolvido, a mais grave, duas acusações por pedofilia. Pois o artista faleceu e a surpresa instalou-se. Terminou o Michael dos tablóides, que fazia disparates e abusava de criancinhas. Pode dizer-se que a morte foi mais generosa com o artista. As suas músicas, que há anos não tocavam nas rádios, voltaram. As televisões aproveitam-se para mostrar reportagens sobre Michael Jackson, numa perspectiva diferente daquela que os media nos habituaram.
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Não sei qual o tempo de duração desta "trégua", que se centra na música e não nas polémicas. Talvez o tempo necessário para rentabilizar um pouco sobre a música, agora que os direitos autorais estão mais desprotegidos. Talez apenas o tempo de se centrarem em outras polémicas, como a custódia dos filhos de Michael ou a existência de outro filho desconhecido.
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sexta-feira, 31 de julho de 2009

EXPOSIÇÃO TITANIC - vídeos reais

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Fui à exposição do Titanic na estação dos comboios do Rossio, em Lisboa, mas não trouxe souvenirs. Há alguns anos decidi que se deve trazer sempre uma lembrança dos locais que se visita e dos monumentos e museus visitados. Descobri isto ao passar pela memória os locais onde fui. O museu do Prado e o Reina Sofia em Madrid, as dunas protegidas de Aveiro, um lugarejo em França... e nada, nem uma fotografia, para me situar.
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Está certo que nem todos os locais têm artesanato ou sabem explorar devidamente as razões que trazem os turistas até um local. Mas não esperava tamanha falta na exposição do Titanic. Na verdade, foi preciso chegar a casa para perceber o quanto era «pobre». Uma pesquisa na internet revelou o conteúdo de outras exposições, noutros países, com a presença de uma maquete do barco em escala menor e com a reprodução da escadaria do salão principal - nada disso se pode ver na exposição de Lisboa. Embora não deixe de recomendar que se vá visitar. É carote, mas é um momento único, em que se divide o mesmo espaço com objectos que afundaram com o navio e estiveram décadas a 3000 metros no fundo do mar. É proibido tirar fotografias logo aí, lá se vai a recordação... que a loja de lembranças à saída podia de alguma forma, compensar. Mas os objectos disponibilizados são totalmente desinteressantes. Muitos DVDs do filme do Cameron, alguns livros, chaveiros com o símbolo da White Star Line e T-shirts com o mesmo logo. Nada especial ou criativo.

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Na busca por mais informações sobre o Titanic, descobri até coisas meio «macabras». Como por exemplo, a existência de um museu, com a forma do barco e um icebergue encrustrado no casco, onde é possível efectuar muitas festas, reuniões e até casar junto à fiel réplica da famosa escadaria do salão principal do Titanic. Pessoas "mascaradas" à época, andam pelos corredores a servir os visitantes. Horripilante... mas, se calhar, gostariamos de lá ir espreitar. Mas pior que isto foi, talvez, encontrar um escorrega insuflável na forma da popa do Titanic... macabro!
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Tirando isso, aconselho mesmo que se vá fazer uma visita. Toda a exposição é escura, criando um ambiente de proximidade com o drama do Titanic. Os objectos, muitos como novos, até nos fazem duvidar do percurso e história que carregam. As músicas ambiente, diferentes e m cada uma das muitas salas da exposição, são as que, supostamente, tocaram no Titanic. (Eis um exemplo de lembrança que a loja de souvenirs devia disponibizar! Afinal, dvds do filme do Cameron... quem não tem?). Numa das salas escuta-se o barulho das caldeiras. Pode-se ainda tocar com o dedo no casco do navio (se não temer os virus que outros antes de si podem ter deixado ali) e ainda cheirar os perfumes de Adolphe Saalfeld, perfumista de 47 anos que sobreviveu ao naufrágio. Dispense o audio-tour. O aparelho dá-lhe explicações do que está a ver, mas não precisa dele. Economiza 4 euros.
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Mas mais que isto, a razão para estar a criar este post prende-se com os "achados" da pesquisa na internet. Bela invenção, esta! Onde estava ela para preservar as minhas memórias? Bem, mas está aqui agora e graças a ela consegui compilar uma série de testemunhos de sobreviventes do Titanic (sim, leram bem: os verdadeiros! Pessoas que estavam a bordo do Titanic e há muitos anos atrás, antes mesmo de terem sido descobertos os restos no fundo do oceano, falaram para a rádio e para a televisão). Essas preciosidades estão agora na internet e são elas que partilho aqui, em vídeo-legendado.



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